Hamnet
Honestamente, levei um tempo para entender o porquê não consegui segurar as lágrimas ao assistir Hamnet. Uso sempre o filtro do Belo, do Bom e do Verdadeiro para avaliar o que consumo, e esse filme me marcou nos três níveis.
O filme não é sobre Shakespeare. É sobre o "buraco" que a morte de um filho abre no meio da sala. A Verdade é brutal: para a mãe, Agnes, o luto transforma o mundo colorido em uma "mancha cinzenta" (até as suas roupas mudam de cor). Aquela natureza que ela dominava e amava vira um eco vazio. É a representação honesta de como uma tragédia soterra a nossa percepção da realidade.
O Belo entra tanto na cinematografia e no trabalho sonoro quanto na reflexão da capacidade da arte em dar forma ao que é insuportável. O filme mostra que a beleza é a ferramenta que transforma a dor individual em algo universal. E é na catarse que a Bondade se manifesta: a gente sai despedaçado, mas de alguma forma mais humano, mais cheio de misericórdia.
Hamnet faz pensar em como a arte é capaz de transformar a dor individual em uma reflexão universal sobre o sentido da vida humana.