Queer
O tesão de quase ter é o resumo dos filmes do Luca Guadagnino. Sempre há uma abertura para o relacionamento, mesmo que ele nunca cumpra o propósito que os personagens precisam que ele faça.
O misto de alegria de alcançar fisicamente o que você deseja e saber que nunca será mais profundo que aquilo é perfeitamente capturado pelo Daniel Craig; especialmente com os sorrisos, olhares e toques desesperados precedendo/seguindo o sexo.
É triste saber que mesmo que atualmente seja relativamente socialmente aceito ter um relacionamento homo, a forma de se relacionar segue majoritariamente superficial e fundamentada no carnal - às vezes nunca passando disso. Não importa se é por meio de tentar fazer conexões por meio de um aplicativo ou de suplicar com os olhos para que um twink te tolere durante tuas crises de abstinência. Sempre haverá aquele sentimento de não pertencimento e obscenidade à espreita.
Eu gosto como o protagonista sequer conhece o objeto de sua afeição. Ele fala, sente calor humano e faria qualquer coisa para seguir sentindo que está sendo amado. Qualquer emulação disso é prazerosa para ele. Mas não suficiente, como ele mostra com a viagem drogada na floresta esquisita. Nunca suficiente. Mesmo assim, ele vai atrás dessa performace a todo custo.
Perfeito. A ânsia de possuir que nunca chega ao tédio de ter.
A trilha sonora começar com Nirvana (e seguir com trilhas do Kurt mais de uma vez) fez eu sentir que esse filme foi feito sob medida para mim. Lindo
Por fim, fiquei pensando sobre a centopéia. Como um fã médio de Tokyo Ghoul, é um símbolo que me fascina. Acredito que ela represente como o protagonista se vê, rastejando para a vida desse garoto. Rastejando para tocá-lo, mas nunca o tendo por completo.
A solidão de se assumir sem a recompensa de ser amado por quem você é.
Foda!