Ponyo
O fim do mundo é a rebeldia de uma criança.
Uma obra prima da fantasia cotidiana, simplesmente glorioso. Não sei nem por onde começar.
Visualmente me surpreendeu muito, a maioria dos filmes do ghibli tem os cenarios pintados com tinta, acho que uma combinação de aquarela com guache ou acrílica. Mas ponyo é completamente diferente. Todos os cenários possuem camadas e camadas de lápis de cor que preenchem toda a imagem, criando texturas e cores belíssimas. Não me lembrava disso sobre o filme e fiquei maravilhado. Desde as árvores, a grama e as pedras na praia, até os guarda chuvas no quanto da sala, o asfalto das ruas e as placas de sinalização tudo é lindo e colorido. Quero comprar o artbook assim que possível.
As cenas de fundo do mar também são maravilhosas, com centenas de diferentes peixes e criaturas em constante movimento, a própria abertura do filme, com as águas vivas, é muito marcante pra mim.
Se não me engano esse é o filme com os protagonistas mais novos do ghibli exceto pela Mei de totoro, depois de tantos anos é ótimo ver o miyazaki trazendo as crianças pequenas de volta como protagonistas. A forma como elas são representadas é tão engraçadinha e realista, elas andam, se movem, falam e se expressam de forma tão divertida de assistir.
O sosuke é uma criança um pouco mais calma e madura, mas ele ainda chora quando perde a ponyo no mar, ou quando não consegue achar a mãe após a tempestade, e esses momentos são de quebrar o coração. Ele é esperto, carinhoso e responsável faz de tudo pra cuidar do peixinho ponto, dá origamis para as senhoras do lar girassol e sabe se preparar para a viagem que eles fazem mais pro final do filme. Enquanto isso a ponyo é animada e curiosa, não entende muito bem como as pessoas agem e socializam, e aos poucos vai aprendendo, ela tem muita energia e vê tudo com esmero, desde a cena do chá até a do bebê. E claro, assistir os dois juntos é tão divertido, eles gostam tanto um do outro, trabalham juntos e se respeitam.
Os outros personagens do filme também são todos tão charmosos e carismáticos. Lisa, uma mãe jovem, que tem momentos de teimosa e frustração, mas também de serenidade e calma. As senhoras do lar de idosos, todas carinhosas do seu jeito com sosuke, sempre torcendo e cuidando dele. Fujimoto é maravilhoso de se assistir, um feiticeiro ansioso e amargo, que se move de uma forma hipnotizante, mas que no fundo se importa com sua filha e busca refúgio na sabedoria da mãe da ponyo. Essa que é simplesmente magnífica, uma mulher gigantesca, deusa do mar que vê tudo com carinho, gentileza e magia. Não há um momento desse filme que eu me sinto desinteressado pelos personagens na tela.
Acho que a minha parte favorita do filme é o senso de fantasia numa história que se passa no mundo real. O fundo do mar é mágico e fantástico, e quando esse universo invade a cidade no meio do filme tudo é tão maravilhoso. A cena na qual isso acontece é belíssima, com peixes dourados e feitos de água pulando no oceano através de um tsunami, numa cena simultaneamente deslumbrante e angustiante.
O oceano apodera-se e cobre a cidade, numa metáfora mágica para o aquecimento global gerado pela poluição mostrada no início do filme. Uma era do oceano. A partir daí as crianças ficam sozinhas para explorar esse novo ambiente cheio de peixes pré-históricos e onde só se pode andar de barco. É uma aventura tão mágica.
Acho uma representação linda da infância, e todos os sentimentos que vem com ela, principalmente o amor genuíno e incondicional, seja por um peixe, uma humana ou os dois.
[maratona do estúdio ghibli. assistido com Isadora e helena]
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