
Esse aqui, além do elemento teatral, que é muito forte principalmente na última leva de filmes do Wes Anderson, traz pra mim uma sensação muito particular de estar lendo um conto. Ele brinca, tanto em texto quanto em imagem, com aquele prazer muito singular que escritores como Borges evocam com a construção de mundinhos e sisteminhas muito particulares. Como sempre tem uma mistura de drama e comédia que no teatro é muito comum, mas que no cinema tem poucos que sabem fazer com tanta qualidade. Os filmes do Wes Anderson são pra mim o mais próximo que da pra ter em cinema de um livro de cabeceira.

O Lynch faz bem esse expressionismo contemporâneo dele e sabe brincar com aqueles elementos muito camp dos Estados Unidos mas tornando-os muito cativantes. No meio da bizarrice e da loucura, ele também consegue filmar uma história de amor que é muito verdadeira. É muito retrato dos EUA, que é um país completamente insano e plástico, mas que esconde lá no fundinho algo muito verdadeiro, poético.

Gosto demais desse uso de psicodelia que alguns filmes tchecos desse período fazem. Acho que tem algo de dadaísmo, de reagir ao autoritarismo, à barbárie com a loucura. O visual também é sensacional, completamente vanguardista, experimental.

Divertido, bem levinho. É interessante ver a utilização dessa comédia meio pastelão como ferramenta de crítica política, porque normalmente comédias com essa veia mais política costumam se sustentar muito no texto. Acho que gostei também porque me lembrou o baile dos bombeiros e Amarcord com essa construção de personagens cômicos em cidadezinhas do interior.