Dreams
Se você parar um pouco e olhar com clareza, toda a natureza tem sua própria beleza!
Sonhos foi meu primeira filme do kurosawa, mas posso dizer com clareza que, não é apenas um filme; é uma experiência sensorial e um mergulho profundo no subconsciente de um dos maiores mestres da história do cinema. Realizado em uma fase avançada de sua vida, Kurosawa abandona a narrativa linear tradicional para nos apresentar oito vinhetas baseadas em seus próprios sonhos recorrentes. O resultado é uma antologia fascinante, uma mistura de beleza pictórica, ansiedade infantil e desolação adulta.
O filme é visualmente deslumbrante. Kurosawa, mesmo com sua visão debilitada na época, consegue criar composições que parecem pinturas vivas. Os sonhos variam de fábulas míticas sobre a natureza e o folclore japonês (como a "Procissão de Casamento da Raposa") a pesadelos distópicos sobre a guerra, a tecnologia e a radioatividade. Kurosawa expressa seus medos sobre o futuro da humanidade e nossa desconexão com o mundo natural. A progressão narrativa é notável, começando com a curiosidade e o medo infantil e evoluindo para a sabedoria e a reconciliação com a morte no último segmento. Mas em específico os corvos é o melhor, pois esse curta tem o título perfeito. A ideia de Martin Scorsese interpretando Van Gogh em um curta do Kurosawa sobre um estudante de arte perdido nas pinturas do artista (tão visual) parece um sonho febril que um cinéfilo teria…
Apesar de ser considerado uma obra "menor" por alguns críticos comparado aos seus épicos, Sonhos é talvez o trabalho mais pessoal e honesto de Kurosawa.