
**“The mystery of life isn't a problem to be solved, but a reality to experience; a process that cannot be understood by stopping it. We must move with the flow of the process, we must join it, we must flow with it."** Lembro que quando Duna saiu em 2021 muitas pessoas disseram que o filme era chato, confuso e lento, e lembro que senti um pouco de medo de assisti-lo, senti receio de entrar nesse mundo que parecia tão grande mas também sem graça. Hoje revendo ele pela quarta vez, sinto que a maioria das pessoas que não gostaram, confundiram essa grandiosidade com complexidade, já as tornando apáticas a toda a experiência do filme. Não que a história de Duna não seja complexa, ela carrega temas de religião, ecologia e politica que se mantém atuais mesmo depois de quase 60 anos que o livro original foi publicado, mas ela está longe de ser confusa ou desinteressante. O que mais admiro nessa adaptação é a capacidade de Villeneuve de lidar com a imensidão desse mundo, focando nos pontos mais chaves e de fácil entendimento dessa história, abrindo mão sim de ótimos momentos, mas compensando na relação dos personagens e na trajetória épica deles, conseguindo passar o senso de grandeza que a história tem. Villeneuve dosa bem o que mostrar para o grande público e as pequenas referências para os fãs da obra original. Na parte estética, acho o filme pouco inspirado, principalmente em sua paleta de cores, que segue um caminho muito sóbrio e que poderia ter mais da psicodelia característica que o universo duna tem, principalmente em Arrakis e nos momentos de presciência do Paul. Momentos que poderiam ser mais lúdicos são trocados por um recorte de cenas rápidas, onde existe uma diferença em comparação as cenas reais, mas nada realmente muito inspirado. Por outro lado o design de produção é incrível, cada planeta, cada povo, tem sua própria estética, que conversa perfeitamente com seus respectivos personagens. O planeta dos Atreides traz fôlego e umidade, os Harkonnen tem uma estética opressora e industrial, e Arrakis consegue passar a sensação de aridez e cansaço que um deserto traz. “Dune” de Villeneuve peca em alguns aspectos desse universo, mas faz algo que era julgado como impossível, e consegue traduzir essa história para a tela, mesmo que numa versão um pouco mais compacta. Mas o mais importante foi feito, o filme tem o sentimento de Duna.


Termine sua série perfeitamente mostrando que tudo que seu protagonista conquistou não levou a nada e que tudo que ele sacrificou o tornou num monstro que nem a paz da morte consegue ter. Anos depois você faz um filme que contradiz tudo o que vc construiu em todos esses anos na série. Muito bom de fato.
