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Não sei porque levei tanto tempo pra assistir.
Me lembrou muito o poema da Adélia Prado que eu tatuei:
Enquanto eu fiquei alegre, permaneceram um bule azul com um descascado no bico, uma garrafa de pimenta pelo meio, um latido e um céu limpidíssimo com recém-feitas estrelas. Resistiram nos seu lugares, em seus ofícios, constituindo o mundo pra mim, anteparo para o que foi um acometimento: súbito é bom ter um corpo pra rir e sacudir a cabeça. A vida é mais tempo alegre do que triste. Melhor é ser.
Acho que ilustra bem a relação inicial dele com a Samantha de aproveitar as pequenas sensações de existir, de parar o pensamento ansioso e olhar ao redor pro que existe de concreto (ironicamente, realidade que ele só percebe depois de algo não concreto apontar isso pra ele).
Além disso, a conversa dele com a Amy dialoga muito com “a vida é mais tempo alegre do que triste”, já que ela percebe que ela merece ter alegria e tacar o foda-se para aquilo que não a faz feliz.
Acho incrível que tem muita coisa pra discutir sobre esse filme.
*obviamente eu não tatuei tudo isso, só a última estrofe kkkkk.
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