The Lighthouse
LET NEPTUNE STRIKE YE DEAD, WINSLOW! HAAAAAAARRRK!!!!!
Real e surreal caminham lado a lado, como se fossem a mesma coisa.
O filme começa em um ritmo lento, quase contemplativo — mas isso não importa. Mesmo nessa calmaria, algo já está errado, e é justamente esse desconforto que te prende. Quando a narrativa “vira a chave” e acelera, vira uma espiral de loucura impossível de largar. A cada minuto, você sente que está enlouquecendo junto com os personagens.
No fim, é “só” a convivência de dois homens no trabalho — mas a cada dia que passa, ambos parecem se deteriorar mentalmente (embora um deles claramente já esteja à beira do abismo desde o início). Tudo acontece e, ao mesmo tempo, nada acontece. Você nunca tem certeza se o que vê é real ou fruto de uma mente em colapso. E é aí que o filme te ganha: você entra na loucura, se perde nela, não entende nada… e entende tudo.
É uma experiência sobre culpa, poder, desejo, isolamento — sobre o fascínio por algo inalcançável e proibido. Um mergulho profundo em uma mente que se desfaz pouco a pouco, até atingir um ápice insano.
E que atuações. Willem Dafoe é simplesmente perfeito como Thomas Wake — difícil imaginar outra pessoa no papel, tamanho o domínio que ele tem da presença e da intensidade do personagem. Soa até engraçado falar que ele nunca ganhou um oscar, e com certeza nesse papel era merecidíssimo. Robert Pattinson surpreende absurdamente, entregando uma performance crua, desconfortável e cada vez mais descontrolada. Depois disso, é impossível subestimá-lo.
A estética é outro espetáculo: preto e branco, formato 1.19:1, uma pegada que só intensifica o estranhamento. A fotografia contrastada, a iluminação agressiva, a direção de arte minuciosa e os takes longos criam imagens que são tão belas quanto perturbadoras.
É um filme incrível — mas também uma experiência desconcertante. Daquelas que te invadem, te deixam inquieto e permanecem na cabeça muito depois dos créditos.
Estranho. Intenso. Hipnótico.