
Qualquer simpatia ética em um artista é um maneirismo imperdoável de estilo ( Perdoem a inatividade, é ano de vestibular


> Meu marido ta em perigo, Marta > > Todo mundo ta em perigo, Eunice Quão triste é ficarmos felizes por podermos dizer que morreu. Revisita-lo estando, ainda que pouco, mais velho e tendo terminado o livro hoje, a percepção é outra, é melhor. No livro, muitas cenas que aqui estão presentes, não existem e vice versa, mas, mesmo que dramatizado, o longa de Walter Salles atende ao livro de Marcelo, que é mais que uma biografia, um relato, é um discurso sobre memória e dor, sobre uma perda que nunca pode ser verdadeiramente vivida. Li a obra e, ainda que possua convergências ideológicas e críticas a atitudes bem questionáveis da família, é impossível não se emocionar nos últimos capítulos. A história de uma mulher que tanto viveu e que, no fim da vida, parecia não ter vivido nada. Que mal é o alzheimer, assim como o desaparecimento, destrói a pessoa e condena todos ao seu redor - lembrei de meu avô que, mesmo que eu não veja em sua pessoa qualquer virtude, pelo contrário, o condeno por diversas atitudes, passou pelo mesmo problema. Ainda que com todas as minhas ressalvas, o fim do livro não é sobre uma ativista política ou uma mulher progressista, é sobre o amor de uma mãe por um filho, que mesmo esquecendo de tudo, não esquece de abrir seus dedos, um por um, pois sofreu um acidente e sua mão não pode atrofiar; é sobre como o amor ultrapassa até mesmo a identidade ou a perca dela. O final do filme, que na época concordei, com ressalvas, que era de certa forma genérico, ganha outro tom com a percepção do Marcelo, ganha uma camada que não possuia e emociona muito mais. O filme é marcado por uma melancolia pungente, desde a fotografia até as atuações e as marcas dos quadros nas paredes. Hoje, vejo mais que "um grande filme do Walter Salles", vejo a dor inquieta e inexistente, mesmo que presente, de uma família que nunca pôde viver seu luto.

> Maybe the beauty in life is that things end. É o novo *The good place, *tão aterrorizante quanto. Achei que ia encontrar só uma comédia boba sobre amor e vida pós a morte: encontrei, mas é também um pouco mais. O dilema que a Joan enfrenta é invencível, não há resposta correta e nunca terá ( mesmo que eu torcesse pro Larry desde o começo ), é uma dúvida que transpassa não apenas a felicidade como estado de espírito, mas como prática constante de virtudes diárias, é a discussão no carro ou o apoio ao amado e por isso o Luke nunca seria o acerto. A premissa é bem ousada, a execução nem tanto, são vários clichês, mas são clichês por um motivo: funcionam, envolvem. Me diverti muito para um longa tão subestimado e, de fato - *everybody loves somebody sometime. ( *Davine joy é realmente isso tudo, baita atriz )
