
QUERO SPACE HOPECORE INJETADO EM MIM PRA SEMPRE. O espaço é desconhecido, aterrorizante, e no geral um vazio mais imenso do que a percepção humana consegue conceber. Então é natural que filmes como Alien, Vida e Interestelar mirem em tons sérios ou sombrios. Sempre funcionou com perfeição, mas que bom que Phil Lord e Chris Miller sabiam que isso não era sinônimo de que o oposto não poderia funcionar, porque isso aqui é perfeito. Project Hail Mary diverte, e não é pouco, mas nunca sacrifica a ciência, a grandiosidade, a adrenalina ou o coração nos momentos em que precisamos dessas coisas. O filme consegue ser palatável e apelativo pra qualquer um, e não dá pra ser chamado de inovador, mas ao mesmo tempo foge de todos os principais clichês, mesmo nos níveis mais básicos. Nosso herói não é herói algum, a missão suicida de salvamento da humanidade no fim não é fatal pra ninguém, e o tratamento da espécie e da cultura alienígena do Rocky foi criativo demais. Os bichos não tem cara, têm nomes longos, se comunicam por sons estranhíssimos às vezes produzidos por ranhuras nos braços, não enxergam pelo espectro eletromagnético, têm estruturas sintáticas peculiares (só a sacada do ponto de interrogação ser expresso por uma palavra já é genial), precisam de alguém vigiando o sono porque o sistema nervoso deles não evoluiu de maneira a despertar mediante pequenos estímulos externos, queimam em contato com a atmosfera terrestre, e são avançadíssimos a ponto de construir com um gás sólido, mas também não conhecem algo básico como radiação (o que é EXTRA FODA quando você vê que o autor do livro ou o roteirista pararam pra pensar na maneira como as necessidades de um povo, sua cultura, influenciam no curso da ciência, e por isso faz sentido que uma espécie que não enxerga por radiação que nem a gente não teria investigado o fenômeno a fundo). Só um nerd supremo pra pensar nisso tudo, e o filme só tem a ganhar com essa atenção aos detalhes estrangeiros. Contudo, mesmo com tantas diferenças e peculiaridades, a gente ainda se importa demais com essa pedrinha adorável. Me lembra do discurso do Jeff Winger em Community sobre o quão pouco seres humanos precisam pra se importar com algo, e eu acho isso realmente lindo. Mais ainda como o mesmo vale pra maneira como o Rocky via o Grace, so much so que ambos estavam dispostos a morrer um pelo outro. Eu senti tudo com esse filme: fascinação com o espaço e com os alienígenas, risadas com a minha DIVA Sandra Hüller, com meu ÍCONE Ryan Gosling e com meu AMOR Rocky não-Balboa, os maiores arrepios na sequência em que o Grace coleta astrófagos em frente a Adrian, sangue pulsando e preocupação na captura da taumeba, tristeza quando eu achei que o Rocky tinha morrido pra salvar o Grace e, principalmente, carinho pela dupla mais improvável possível e felicidade calorosa pela noção do quão longe vai o amor. Tudo isso aqui carregado pela fotografia sempre primorosa do Greig Fraser, pela trilha sonora mágica do Daniel Pemberton, pelos efeitos especiais fodásticos, pelo talento cômico sempre afiadíssimo do Ryan Gosling, e pela qualidade desse roteiro amarradíssimo e da criatividade pululante da história original. O cameo da Meryl Streep com certeza também não machucou. Must-see no iMAX, ainda mais numa sala lotada. Se o filme já não tivesse me enchido de felicidade, a experiência de ver isso aqui com centenas de pessoas rindo e sentindo junto comigo teria feito o trabalho. Dá pra contar nos dedos a quantidade de pessoas que saiu pro banheiro, e acho que a moça do meu lado não grudou no encosto um só momento. Uma das minhas melhores experiências no cinema, duas horas depois e eu ainda to transbordando alegria.


Que bom que um filme chamado A História do Som tem músicas bonitas e uma trilha envolvente. Todo aquele começo do filme com o Josh O'Connor é maravilhoso. O amor que toma eles de supetão, o calor e ternura que exalam de tantas cenas deles, todas as músicas que eles cantam e guardam... eu amei. Em especial as cenas na ilha de Málaga. Aquela música foi o último registro da cultura de uma comunidade no lar em que floresceram, e David e Lionel saíram de lá com um canto do cisne em mãos - ao mesmo tempo uma doce lembrança cultural e também um mórbido lembrete do fim daquela vila. Sem disputa a melhor cena do filme. A vida do Paul Mescal depois disso é incapaz de ser tão interessante ou bela quanto essa magia da primeira hora. Depois, quando vêm as revelações do casamento do David, das cartas não respondidas e do seu suicídio, a retrospectiva deixa o filme mais agridoce (o que eu acho espetacular), mas, com ou sem as lindas cenas com a viúva que tudo sabia e com o Lionel mais velho redescobrindo os fantasmas engravados na cera, o filme nunca volta a atingir aquele auge do começo. Mas não deixa de ser uma abordagem curiosamente bonita pras noções do quanto se perdem e o quanto se rememoram vidas e culturas ao eternizá-las no som (ou, numa extrapolação muito natural, na imagem). Se o Lionel tivesse guardado todas as palavras que ele e David já disseram um pro outro, o vazio seria preenchido? A resposta é óbvia, mas a ponderação dói mesmo assim.

No geral, *Frankenstein* não recompensa aqueles que escolhem revisitá-lo. Os temas, apesar de bem-abordados e tocantes, não têm profundidade suficiente pra ganhar uma nova perspectiva agora. Os dois primeiros atos são melhores do que eu lembrava, mas o terceiro fica bem pior na rewatch (tirando o final final em si, que é bem bom). Aspectos técnicos maravilhosos como da primeira vez (os Oscars de design de produção e figurino vão ser escrotamente merecidos), e eu prestei uma atenção melhor na trilha sonora durante essa revisita e gostei um pouco mais agora. A cena da animação da criatura é foda demais, meu deus.