Interstellar
Quando eu assisti pela primeira vez eu não tinha compreendido a profundidade que esse filme carrega em forma de arte, e sinceramente, é difícil não se abalar emocionalmente ao parar e pensar.
— Pai, por que me deram o nome de algo ruim?— Não demos.— Lei de Murphy?— A lei de Murphy não significa que algo ruim acontecerá, significa que o que quer que possa acontecer acontecerá.
Confesso que nas cenas iniciais eu não estava dando tanta bola pro filme, pensei que seria algo “””bobo””” e só mais um filme sobre o espaço, mas foi completamente diferente do que eu esperava. foi um filme em que ao mesmo tempo em que eu estava com a minha total atenção presa nos acontecidos, eu também estava confusa diante a linha do tempo.
Inicialmente eu achei egoista da parte dele, em largar a filha para ir numa missão que ele nem sequer sabia de voltaria, dando para a filha uma incerteza sobre uma possibilidade de volta ou não. e durante anos ela conviveu com a dor de ser rejeitada, abandonada, e de tentar entender porque ele se foi; é maluco pensar que 23 anos se passaram para Murphy, quando para Cooper foram só algumas horas. As mortes, as traições, os sacrifícios que foram feito em prol de “salvar” uma humanidade perdida resultando em perder memórias afetivas com quem ama; a dor de perdê-las numa missão em que a incerteza é a sua principal melhor amiga. não estava preparada psicologicamente para nada do que eu vi nesse filme e eu senti uma dor imensa com as palavras de Murphy, a traição clara em sua voz quando ela descobriu que ele já sabia de tudo.
“Mas hoje é meu aniversário. E é um especial, porque você me disse...você uma vez disse que quando voltasse, poderíamos ter a mesma idade. E hoje eu tenho a idade que você tinha quando partiu. Então seria uma ótima hora para você voltar.”
A medida que o filme se aproxima do final você começa a entender todo o plot, caso não tenha entendido anteriormente, e é como se uma chave girasse em sua cabeça. Me senti completamente submersa em emoções ao ver o Cooper ficar para salvar a Amélia, ou a Dra. Brand, e foi uma das coisas mais lindas que eu vi; a amizade que eles criaram em “pouco” tempo é algo de se admirar, mas a dor óbvia em vê-los indo para dimensões diferentes e separados. Amelia não queria deixar o Cooper, ela preferia ficar ao ter que ir porque ela não tinha ninguém esperando por ela; mas ele tinha, e ainda assim ele decidiu ficar, mesmo que isso significasse perder tudo o que já estava perdido.
— Terceira Lei de Newton; algo precisa ficar para trás.— Você falou que havia recursos para nós dois.— Nós concordamos...90%.”
No momento em que Cooper chegou ao cubo e encontrou com a Murphy do passado eu não aguentei e chorei mais do que deveria com o peso da cena. ele estava tentando se alertar para não ir na missão, usando a filha como “canal de comunicação”. Ele fez o possível para se alertar no passado, e nada foi suficiente, ele ainda perdeu anos longe de Murphy diante de tantos problemas. Perdeu ela se casa do, se formando, tendo netos, aniversário e todas as datas especiais e comemorativas; foram 74 anos longe da própria filha que passou toda a vida o esperando.
“O amor não é algo que inventamos. e perceptível, poderoso. Precisa significar algo...O amor é a única coisa capaz de transcender as dimensões do tempo e do espaço.”
As últimas cenas em que Cooper é salvo e se reencontra com a filha dói na alma, pelo menos na minha doeu horrores, porque vê-la deitada na cama no fim de sua vida foi algo pesado. mesmo beirando a morte, Murphy viajou até onde Cooper estava apenas para vê-lo e dizer para ir procurar a Dra. Brand. Foram os cinco minutos mais rápido de toda a vida. esperava mais nesse sentido, porque me corroeu ver que eles tiveram um curta interação antes de Cooper ir atrás de Amelia. Esse final em aberto foi algo que me deixou cheia de perguntas e pensamentos, e passei pelo menos bons minutos sentada conversando sobre os ocorridos do filme para ter um melhor entendimento, no fim eu espero que Amelia tenha sido realmente salva.
Sobre o Cooper: apesar de todas as coisas que ele fez, ele é egoista. Ele sabia desde o início que não voltaria, sabia de todo o plano, e mesmo assim Cooper foi realizar a missão. Sabia que havia uma família o esperando, que seus últimos anos com o seu pai estava acabando, e mesmo assim ele escolheu a missão ao invés da família. Perdeu praticamente a vida inteira da Murphy, para revê-la por minutos antes de sair em busca da Amelia. Não digo que tudo o que aconteceu com ele foi justo, mas ele fez sua escolha final e conseguiu errar feio.
Minhas considerações finais sobre: prestei mais atenção no roteiro bem feito, e profundo na história dos personagens, do que no resto. A atuação do atores são ótimos, Oscar Winner né, não é de se reclamar. Eu adoro a música característica desse filme, é absolutamente ela e mais nada. Simples toques e instrumentais que me fizeram chorar. Esse filme carrega uma profundidade inexplicável de sentimentos e pensamentos, e a beleza do filme é algo inexplicável porque todos os cenários são incríveis e tudo ali é único; não por ser um filme fora da terra, mas porque a produção parou e pensou em tudo. No final, Interestellar mereceu Oscar.
De tudo isso a única coisa que eu posso é: absolutamente cinema.