Waves
Waves é um filme que destrói toda a tua fé na humanidade e depois recupera ela. A primeira metade é tão tensa e estressante que eu tenho quase certeza que desenvolvi um aneurisma. A trilha sonora também ajuda bastante a queimar os últimos neurônios restantes, me lembrou Joias Brutas, nesse sentido.
Também gostei que a direção é bem criativa e se permite brincar com os ângulos e (principalmente) os enquadramentos sufocantes, que às vezes revelam mais coisas que os diálogos. A edição deixa o ritmo bem frenético quando necessário, construindo tão bem a tensão na primeira metade que quando chegou no ápice eu fiquei no modo “simplesmente não reaja”.
O criador parece ter entendido isso, pois a transição entre as duas narrativas foi perfeita, eu fiquei apenas encarando a minha tv com um olhar vazio enquanto o diretor mostrava o cotidiano da Emily, que se sentia mais vazia ainda depois do que ocorreu.
As escolhas das músicas foram todas certeiras, tirando o fato do cara ser fã do *, o que para mim é uma 🚩. Mas falando sério, quando começou a tocar Backseat Freestyle eu me arrepiei real (além de começar a cantar junto). A maioria das canções são perfeitas e combinaram demais com seus momentos, até salvei a playlist do filme.
As atuações foram ótimas, mas a Taylor Russell foi o grande destaque, principalmente na cena em que a personagem dela conversa com o pai (Sterling K. Brown sz), que está justamente no pôster do filme. O Lucas Hedges aparecendo do nada era tudo o que eu precisava e não sabia, amei a química entre ele e a Emily.
Falando na Emily, é tão lindo ver ela tentando seguir em frente na segunda parte, tirando um tempo para processar, perdoar e se reconstruir. Senti que todo o estresse do início foi aos poucos ficando pra trás, e no final do filme ver ela se encontrando, ainda que aos poucos, e reunificando a família foi tão 🥰.
Na minha opinião, Waves é um dos melhores filmes da A24. A vibe é típica de outros filmes da produtora mas ainda assim consegue se destacar, seja pela simplicidade, ousadia, estresse ou calmaria, fazendo jus ao título (As Ondas 🇧🇷) já que primeiro temos o impacto, e então tudo vai embora, no seu tempo. É uma viagem e tanto, amei.