Funny Games
Mais de uma hora de pura tortura física e mental, onde a todo momento que uma mínima esperança surge, ela é completamente tirada, não só dos personagens, mas também de você.
Uma tortura mental que ultrapassa o fictício, Funny Games utiliza o silêncio e a imaginação pra torturar o espectador. Por exemplo, ao invés de mostrar a morte da criança da família, Funny Games deixa tudo no imaginário, fazendo ter um peso ainda maior na mente de quem está assistindo, e logo após isso, mostra o grito de agonia de George após perder seu filho, utilizando a falta de trilha sonora no filme para causar ainda mais impacto no espectador.
E em troca da falsa esperança que o filme causa, tudo que você recebe é ver a situação piorando, a tortura aumentando e o olhar de deboche encarando sua tela, como se estivesse te julgando por ainda estar vendo aquilo, como se você fosse tão ruim quanto os dois torturadores por continuar assistindo o sofrimento daquela família.
A cena do controle só aumenta ainda mais essa metalinguagem de que nós somos os culpados, representando que, assim como Paul utilizou o controle para rebobinar o filme e impedir a morte de Peter, nós poderíamos acabar com todo o sofrimento daquela família simplesmente desligando o filme.
Diferente de outros filmes de terror que utilizam do horror como um entretenimento, Funny Games utiliza do horror pra fazer seu público se sentir mal com tudo aquilo, quebrando as "regras" que um filme normalmente segue enquanto olha diretamente para quem está assistindo aquilo. Tudo isso faz o filme parecer ser realmente uma pura violência gratuita onde VOCÊ é um cúmplice de tudo aquilo.