
**Absolute ass** Um filme tedioso do começo ao fim. É tão ruim que me fez questionar se o Adam Scott é realmente um bom ator. Durante o hype do filme, muita gente repetia o clássico ***“melhor filme de terror do ano”***. Já vi essa promessa ser quebrada várias vezes, mas nunca tinha visto um filme ser o completo **oposto** disso. Existe tanta conveniência de roteiro que chega a ser nojento. É um insulto à inteligência do público o quanto fazem questão de explicar a trama. Quando assisti *Caveat (2020)*, senti que era uma história com um estilo próprio, algo com identidade. Mesmo sem ter amado o filme, ele era sólido. *Hokum*, por outro lado, é uma bagunça. O protagonista passa mais tempo dormindo ou desacordado do que fazendo qualquer outra coisa, fora que ele é detestável. A bruxa é deixada completamente de lado durante quase todo o filme, sendo sacrificada em favor de outras ameaças muito mais ridículas e sem propósito. Desde os primeiros minutos, eu já estava torcendo contra todos. Não tem um único personagem carismático; você simplesmente não consegue simpatizar com nenhum deles. Como alguém vai se sentir aflito, ansioso ou assustado pela segurança de um personagem se passa o filme inteiro torcendo contra ele? Enfim, acredito que o próprio Ohm resumiu melhor do que ninguém: ***“Idea for character: oblivious charisma vacuum who is completely incapable of reading a room.”***

***Esse filme parece uma coletânea de tudo o que Steven Spielberg mais gosta de colocar em seus filmes.*** Tirei um tempo para pensar sobre o filme, já que Steven Spielberg é um diretor que admiro bastante. Seus filmes são sempre aguardados com ansiedade. É sempre um grande evento: uma nova história dirigida por Steven Spielberg. Mas, por alguma razão, esse filme me pareceu um puta filme de Sessão da Tarde. Existem muitos filmes nessa categoria que são superenvolventes e divertidos. Porém, falta alguma coisa pra que ele seja um filme realmente ótimo. Sinto que o Spielberg deve ter ficado tão entusiasmado com a ideia de revisitar esse tema que acabou meio perdido diante de tantos caminhos possíveis. Isso acabou deixando alguns pontos do filme meio nebulosos. Se um aparelho extraterrestre, que em nenhum momento tem sua função explicada, não é a maior conveniência de roteiro que existe, eu não sei o que é. Claro que a ideia principal do filme tá ali. Dá pra entender que o grande dom da raça humana é a empatia, tanto com outros seres humanos quanto com outras formas de vida. Só que isso fica em segundo plano em meio a tanta bagunça e frases de efeito meio cafonas. Entendo que esse é o estilo do Spielberg, mas é muito mais fácil aceitar a polícia chegando pela oitava vez seguida atrás dos “bandidos” quando a gente tá falando de um filme dos anos 70 ou 80, época em que esse tipo de recurso ainda fazia sentido. Fora essas conveniências absurdas, o filme é divertido. Visualmente, é maravilhoso, e esse talvez seja o maior destaque dessa nova história. Se Spielberg já conseguiu criar efeitos visuais incríveis em ***E.T. (1982)*** e ***Close Encounters of the Third Kind (1977)***, imagine o que ele consegue fazer em 2026. Mesmo os ETs tendo a aparência clássica dos Grays, eles ficaram extremamente realistas — chega a ser assustador. Mesmo com alguns problemas, ainda continua sendo um filme com uma mensagem atual e importante, considerando os problemas que a humanidade vem enfrentando em meio a guerras e tensões políticas. Os filmes dele costumam despertar diferentes interpretações com o passar dos anos. Quero revisitar daqui a algum tempo para ver se algo mudou.

***Uma obra-prima escondida!*** Tem uma narrativa tão bonita e poderosa que funcionaria da mesma forma mesmo sem falas ou legendas. Visualmente, é magnífico: o trabalho de câmera, a iluminação, tudo nesse filme é deslumbrante. É genial como, no início, somos apresentados ao acampamento como forasteiros, com tudo sendo filmado em um estilo documental. Diante das dificuldades, a música revela a verdadeira essência da Roma, e tudo muda como mágica. O mundo começa a florescer, a ascender, até que os raios do sol rasgam o céu. Nesse momento, tudo se encaixa. Tudo parece estar exatamente onde deveria estar. Já não somos estranhos observando de fora; somos parte da família.*** *** Os prédios ao fundo reforçam o contraste entre a realidade dos ciganos e a dos não ciganos. Ainda assim, o acampamento me parece um lugar muito melhor. Tenho certeza de que, mesmo que a história tivesse outro desfecho, ainda permaneceriam otimistas. Fico incrédulo com a capacidade desse filme de dizer tanto sobre um povo em apenas dez minutos. Os signos presentes aqui são impecáveis: inteligentes e carregados de significado. Quando *Katarina Taikon* dança até o amanhecer, inabalável como um espírito indomável, ela gira de tal forma que seu vestido se transforma em uma roda. Não é por acaso que a roda é o principal símbolo dos ciganos: ela representa a vida, a liberdade, a ancestralidade e o movimento constante que acompanha sua história. É nesse instante que o conflito se resolve, o carro volta a funcionar e eles retomam sua jornada, quebrando fronteiras e seguindo viagem pelos mais diferentes caminhos da história. [***“O tempo é ilusão do homem, e as fronteiras são riscos em mapas que não existem”.*** *— Cláudio Iovanovitchi*](https://museuromanocuritiba.com/claudio-iovanovitchi/) É impossível não refletir sobre isso ao assistir a esse filme. Os prédios, as estradas e as divisões impostas parecem perder o significado diante de um povo que encontra sua identidade no movimento, na comunidade e na liberdade. Quando a roda volta a girar e a viagem continua, o filme nos lembra que as fronteiras só existem para quem acredita nelas. É um filme de enorme bagagem emocional e cultural que, na minha opinião, representa tudo isso de forma extraordinária.

**Interstellar com um final feliz :)** Brincadeiras à parte, que filme bonito. Histórias desse tipo são tão especiais porque colocam as relações humanas em perspectiva. A amizade entre duas formas de vida totalmente diferentes e, ao mesmo tempo, tão genuínas é o coração da obra. Ryan Gosling era o único ator certo para esse papel. Ele transborda carisma e realmente convence como o único ser humano disposto a se esforçar ao máximo para entender uma rocha. Quando o Disclosure Day chegar, vamos mandar ele como representante da Terra. Tudo neste filme é hipnótico, com destaque para os efeitos visuais. Nunca tinha visto uma representação do espaço tão colorida, vibrante e cheia de vida quanto essa aqui. A jornada de Grace é incrível de acompanhar. A forma como ele encontra coragem por meio da persistência e da empatia nos lembra que somos seres sociáveis e que a companhia é algo intrínseco à nossa natureza. Esse filme ressoa bastante comigo. Tenho uma relação conturbada com o conceito de ***memento mori***, e presenciar uma narrativa assim me tranquiliza de certa forma. Afinal, por que se preocupar tanto com o inevitável? Talvez o melhor que possamos fazer seja simplesmente aproveitar a viagem.