Sinners
Simplesmente maravilhoso.
Eu já sabia que ia ser foda por conta dos relatos dos meus amigos e das pessoas na internet, mas perceber isso pessoalmente é outra coisa.
Além de ter um ritmo ótimo e um roteiro cativante, o filme possui uma sensibilidade rara quando se trata do elemento “terror” que poucos (quase nenhum, na verdade) filmes com tais elementos têm.
A forma como o vampirismo é utilizado como analogia para a super exploração das pessoas de cor/pessoas marginalizadas/oprimidas é simplesmente genial e, devo dizer, um dos melhores usos do mito que já vi.
Outra coisa genial foi o encontro de gerações que ocorre através da música. Aquela cena ficou tão linda que eu me arrepiei de emoção. O modo como eles mostram a forma como a cultura permanece ao longo do tempo com as pessoas, se adaptando à época e aos costumes, provou que o pessoal que fez o filme sabia exatamente o que estava fazendo e sentia a importância daquilo.
E o final foi, sinceramente, muito satisfatório. O Smoke liberando toda a raiva, luto e violência que sofreu na KKK foi libertador e não te faz sentir “nervoso” da violência porque você sabe que a justiça foi feita e que aqueles racistas nojentos tiveram o que mereciam.
Em suma, o filme mistura perfeitamente pautas raciais e sociais com elementos do gênero de terror de forma sensível e inteligente, emocionando o espectador e o transmitindo a dor do oprimido de uma maneira tão única que é impossível escapar.
Na minha opinião, esse filme tem tudo para vencer o Oscar de melhor filme, mas, conhecendo a academia e tendo noção de que a maioria dos jurados são homens brancos, tenho a sensação de que eles não ganharão o prêmio. Isso é frustrante e um absurdo. O racismo da academia só reflete a sociedade na qual vivemos atualmente e prova a necessidade da existência de um filme como esse.