

como cães e gatos

Grande conjunto de pílulas neo-realistas. O filme consegue passar muito bem a ideia dos conflitos e como eles são sentidos tanto pelos estrangeiros quanto por quem mais sofreu nesse processo, os italianos. Diversos são os exemplos onde mesmo com a vitória aliada, os efeitos do sacrifício local são maiores e as consequências destes são maiores ainda. A obra seria então um conjunto de estórias no meio de uma história da libertação italiana, que lógico, não compreende toda a carga dos efeitos do fascismo e põe em lugar a presença alemã como única responsável.

Ótima mistura entre imagens de acervo com filmagens contemporâneas a produção da obra. O que cada vez mais comprova que além de desumano, o holocausto foi objeto intenso de disputas dentro da própria Alemanha nazista. Seja nas construções dos campos superfaturados pela corrupção das empresas, ou posteriormente no uso dos campos como lugar de produção. Transformando a morte em produto vendável e inserido nas lógicas das fábricas como bem primário.

A dimensão trágica de não corresponder o interior ao exterior. O homem que ri é um dos grandes feitos da era do cinema mudo, conseguindo articular tudo que o cinema tinha de bom em seus recursos técnicos até então. O filme conseguiu me prender do inicio ao fim e realmente me emocionar com a brilhante atuação do Conrad Veidt em que apenas com os olhos era possível entender a real natureza de seu sorriso que até para a felicidade era exagerado. Por isso acho engraçado como se pensa nesse filme como um terror, pelo menos colocado ao lado de tantos clássicos do mesmo período, porém em nenhum momento senti esse clima de mistério e cada vez mais me padeci de seus personagens.