Sinners
Pecadores é daqueles filmes que você reconhece a grandeza quase que instantaneamente.
Eu seria mentiroso em dizer que captei todas as referências históricas e contextuais, ou que compreendi toda a crítica que o filme busca fazer, afinal, são muitas camadas, e é criado dentro dele muito espaço pra que diferentes perspectivas e contextos pessoais do expectador se aflorem em diferentes interpretações de cada nuance que Coogler explora.
Executado com maestria, com uma construção de personagens impecável e visuais fora de série, Pecadores é uma obra que através de suas múltiplas camadas fala de muitas coisas, mas não se enrola em momento algum.
O filme é muito pontual e certeiro nas suas representações identitárias, aborda o racismo e suas consequências de forma magistral, mas tem algo que não acho que recebeu a devida atenção:
A chegada de Remmick deixa implícita através da linguagem visual, uma “queda”, o que pra mim faz total sentido quando pensamos no arquétipo de anjo caído que o personagem tem: envolvente, manipulador, eloquente, e capaz de gerar uma certa familiaridade ou comodidade. A figura de Remmick é, pra mim, claramente uma construção alegórica do pecado segundo a cosmovisão cristã, que seduz, ilude, e assim como os vampiros, só entra onde é convidado, e assim que tal permissão é concedida, corrompe de dentro pra fora.
Mas a notícia boa é a seguinte: “Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. Mas Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Antes, quando forem tentados, ele mesmo providenciará um escape, para que a possam suportar.”
1Coríntios 10:13
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