Central Station
Tem muitos filmes que são lindos pela fotografia, outros pela atuação, outros pela história. Central do Brasil é lindo por tudo isso, mas, acima de tudo, porque é humano. Porque olha nos olhos da gente e fala, sem precisar de grandes discursos: ‘eu entendo’.
O Brasil de Central do Brasil é áspero, poeirento, quente. Mas, ao mesmo tempo, tem um tipo de beleza difícil de explicar, uma beleza que não está nas paisagens, mas nas pequenas gentilezas: um copo d’água, um bilhete escrito com carinho, um abraço que chega tarde, mas chega.
A relação entre Dora e Josué não deveria funcionar. Uma mulher amarga e um menino órfão, dois desconhecidos sem motivo para ficarem juntos. Mas é aí que o filme encontra sua força. Fernanda Montenegro não só interpreta Dora, ela realmente parece ser aquela mulher dura e desconfiada, que aos poucos vai mudando. E Vinícius de Oliveira tem momentos em que só olha para Dora e já diz tudo, sem precisar falar.
É um filme sobre encontros e desencontros, sobre aprender a amar de novo, sobre encontrar família onde menos se espera. No final, a gente fica com um nó na garganta e um aperto no peito, mas também com aquela sensação boa de que, no meio de tanta dureza, ainda existe espaço para ternura.