

Temos house, drogas e Ewan McGregor. O que poderia dar errado?

> ***— Is he tame, Billy? > — Tame? He’s not a pet, sir. He’s trained, that’s all. Hawks are never tame. They’re wild, and they stay wild. You don’t tame them, you just get them used to you. > — But he comes to you when you call him? > — Only because he knows I’ve got food for him. It’s a business deal, really. He doesn’t love me, and I don’t love him — well, not like a dog or a cat. You don’t own a hawk, sir. You just look after it. > — It’s a bit different from what I imagined. I thought there’d be some sort of affection between you. > — No, sir. If he could get away, he would. But he stays because he wants to, and because I treat him right. He’s got his own spirit, see? You can’t break it. If you try to break a hawk, you’ve finished it. You’ve just got to work with it.*** Mesmo com quase 60 anos passados, ***Kes*** ainda reflete um passado que custa em desmanchar-se. A juventude nunca deve ser levada como época de estrita moldagem ou doutrina de um ser humano. Seja na escola, em casa ou nas ruas, castigar o período mais importante de nossas vidas com tanto ódio, descaso e indiferença é o que fabrica os indivíduos que futuramente replicarão esse mesmo ciclo de violência. Ser criança significa ser livre. É preciso conservar do abate aqueles pássaros que ainda querem voar.

Uma representação crítica (?) e absurdista caracterizada por um microcosmo familiar bizarro, abusivo, autoritário e antropologicamente desconexo. Ideia inegavelmente singular, mas não entendi aonde Lanthimos queria chegar com todo um subtexto de calibre desse em mãos. Mirando demais na excentricidade, acabara perdendo-se na tentativa de enfatizar o propósito de sua narrativa.

Impressionante como esse filme consegue ter tanta tensão sáfica implícita que quase ofusca a ansiedade da narrativa de fato.