

O clima gótico é muito marcante, elegante e bem construído. Gostei da iluminação e da fotografia crua dando um tom diferente pra mansão. Tem uma edição que dá o ritmo certinho pro suspense e pras visões da protagonista. O filme não depende de jumpscares, ele usa a dor, a espiritualidade Maori pra criar um terror histórico e a importância cultural. Isso causa um peso diferente.

A atuação da Andrea Beltrão é o que sustenta a tensão e a qualidade do filme, mesmo quando o roteiro fica pobrinho. Até o menino é bem natural e dá um show de talento. Tem alguns acertos quando tenta construir uma atmosfera paranóica e violenta, mas em 90 minutos ele não se desenvolve muito. A motivação de alguns personagens é rasa e um pouco óbvia, e o terceiro ato resolve tudo com uma explicação apressada. Tem essa estética de filme pra TV, pq na época eles ainda não ousavam tanto na fotografia e na montagem, mas não incomoda tanto e é importantíssimo dizer: pau no cu da polícia & viva os professores!!!!!!

Um coming of age bonito e triste, mas com medo do futuro e das despedidas, assim como é a adolescência. Lindo ver a descoberta da sexualidade tratada com naturalidade, sem espetáculo, mas algumas cenas foram bem desnecessárias.

A ideia é poderosa demais. As pautas são urgentes e pesadas, algumas que Hollywood ainda precisa aprender a tratar. O elenco é grandão, só nomes bons, e quando elas têm espaço pra atuar os monólogos vão longe. Mas eu ainda não consigo gostar de nada que o Tyler Perry escreve. Falta ser mais sutil e imperceptível e deixar de ser dramático e exagerado, tudo que vem dele parece uma novela com explicações demais.