Inglourious Basterds
Ver nazista queimando é gostoso demais!!!!!
Uma das coisas que eu adoro sobre o Tarantino é que ele entende o poder que os idiomas tem na identidade não só do indivíduo, mas na nação da qual ele faz parte. Reparei nisso em ‘Kill Bill’, quando há cenas inteiras feitas em japonês, haja vista a presença absoluta de japoneses nesta, e a impressão desse valor dado por ele para a língua falada permanece em ‘Bastardos Inglórios’.
O filme flui entre os quatro idiomas falados pelos principais envolvidos na Guerra pela Europa. Nenhum ator precisa forçar um sotaque alemão ridículo enquanto profere suas falas (em inglês) para se identificar, o idioma é a chave para isso. Não só o idioma, como também a linguagem, seja por meio de ditados ou expressões corporais — Tarantino prova que o simples modo de indicar o número 3 com os dedos pode ser crucial na identificação do seu inimigo. Ele mostra como as particularidades de uma nação se tornam ainda mais relevantes em ambientes de tensão extrema, como a Guerra.
Outro tópico perfeitamente dominado pelo Tarantino é a pressão. Até agora não vi cineasta algum que consiga fazer uma cena dramaticamente tensa da forma que Quentin Tarantino é capaz de fazer. As cenas chave dos filmes dele sempre são precedidas por uma sequência surreal de elementos que criam condições perfeitas para os clímax de cada capítulo de suas obras.
Dois exemplos ideais dentro de ‘Bastardos Inglórios’ do que eu estou tentando dizer aqui são estes:
1- a cena que antecede a entrada de Donny Donowitz com o bastão para destroçar a cabeça do nazi fiel à pátria, em que a câmera brinca entre focalizar o nazi e o espaço vazio e escuro do qual se espera que Donny sairá, mas de onde só é possível ouvir o barulho do bastão. Isso até o momento em que, enfim, Donny aparece para, digamos, concluir seu serviço.
2- toda a cena no porão do bar, completa, sem tirar ou por. Desde o momento em que os Bastardos entram ao instante em que o militar do alto comando alemão se une a eles na mesa à hora em que o pedido de três copos ocorre para que, finalmente, o banho de sangue possa acontecer, de um modo em que o telespectador se impressione, mas, ao mesmo tempo, tenha a sensação de que estava se preparando para aquele momento nos dez minutos precedentes.
Cena bônus- a fala perfeita: “Marcel, burn it down”.