Donnie Darko
Toda criatura desse mundo morre sozinha.
Donnie Darko esteve na minha watchlist por anos, e desde que ouvi falar dele pela primeira vez, senti que iria gostar. Depois, alguns amigos o elogiaram e até o colocaram entre seus filmes favoritos, o que só aumentou minha ansiedade para assistir. Eu queria muito, mas muito mesmo, gostar desse filme.
E gostei. Gostei pra caralho. Mas definitivamente irei rever porque… meu. deus. que filme confuso. Acho que nunca me senti tão perdida depois de terminar algo. E, por mais que frases como “você tem que ser muito inteligente para entender tal filme” sejam vergonhosas e pretensiosas, elas descrevem perfeitamente Donnie Darko.
Os visuais são marcantes, bonitos, cheios de personalidade e verdadeiramente apaixonantes. A fotografia é belíssima e a paleta de cores transmite muito bem o sentimento de filme do final dos anos 80. Curiosamente, vi dublado na minha primeira vez (o que é raro pra mim), mas isso só contribuiu para a atmosfera e a experiência. Outro elemento que me conquistou pra porra foi a trilha sonora: imersiva, estranha e inquietante, exatamente como o filme.
E preciso falar do grandíssimo Jake Gyllenhaal. Esse homem atua, e atua MUITO. Ele traz um ar tão Donnie Darko que é difícil imaginar outro ator no papel. Além diss ele tá absurdamente gostoso aqui.
O filme é uma aula de como criar tensão e construir um roteiro único em estrutura. Em vários momentos fiquei fisicamente tensa, prendendo a respiração, completamente absorvida pela narrativa. Foi uma experiência indescritível.
Achei muito especial o fato de que o contexto do elemento crucial da trama (o livro A Filosofia da Viagem no Tempo) só estava disponível no DVD. Mesmo sem ter assistido dessa forma na primeira vez, saber disso dá um toque único, e já estou mais do que decidido em comprar.
Em certo nível, me lembrou Matrix: cada pessoa que cruza o caminho de Donnie é manipulada por uma força maior para se tornar um peão num jogo muito maior do que ela própria, impossível de compreender.
E por mais que eu seja extremamente ateu, não consegui evitar pensar sobre como cada um de nós tem um papel na história e que, por mais importantes que nossos dramas individuais pareçam, sempre há algo muito maior acontecendo, e de alguma forma, todos fazemos parte disso.
Enfim, um filme inteligente, feito com muito esmero. Amei mesmo, mas preciso rever antes de tentar escrever algo mais profundo. Por enquanto: filmaço da porraaa.> E eu só espero que quando o mundo acabar, eu possa dar um suspiro de alívio porque ainda vai ter muita coisa pra se ir atrás.
#baked#watched with friends