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Em uma entrevista, Denzel Washington confessou ter recusado o papel principal em Seven por considerar o roteiro “demoníaco”. Mais tarde, após assistir ao filme, ele reconheceu: foi um grande erro. E foi mesmo. Porque Seven não é só um suspense sombrio; é uma obra-prima absoluta que eleva o cinema a um outro nível.
A direção de David Fincher é precisa. O clima do filme é pesado o tempo todo, com chuva constante, cidade cinza e uma sensação de desconforto que só aumenta. Fincher não alivia, uma pausa de calmaria em segundos se transforma em um pesadelo.
Brad Pitt, ainda jovem, entrega muito como o detetive Mills. Ele é impulsivo, meio esquentado, mas cheio de vontade de fazer a coisa certa. Já Morgan Freeman, traz toda a experiência de um veterano. Calmo, sábio e observador. Ele é aquele cara que você escuta porque sabe que já viu de tudo.
E Kevin Spacey… o que ele faz em cena é de arrepiar. Com pouco tempo de tela, ele domina tudo. Frio, controlado, sem exageros. Um vilão que não grita, mas assusta com expressões e as palavras.
Uma das cenas mais pesadas do filme é a da prostituta. O desespero do homem que foi forçado a cometer o crime é perturbador. A forma como ele conta o que aconteceu, gritando, chorando, completamente destruído… é de entrar em um ritmo frenético. É aí que a gente entende o nível de crueldade e loucura do assassino. Não é só um serial killer qualquer: é alguém que destrói tudo em volta, até quem “sobrevive”.
O roteiro é direto, inteligente, e cada detalhe tem um motivo. O final, então, é um dos mais impactantes do cinema. Dói. Choca. Fica na cabeça.
Seven é aquele tipo de filme que não envelhece. Forte, bem feito, com atuações incríveis e uma história que prende do início ao fim. Um clássico que eu amo.