Monster
Como não lembrar, ou melhor, como não falar de Monster?
Se só algumas pessoas podem tê-la, então isso não é felicidade. A felicidade é algo que qualquer um pode ter. Isso é um grande absurdo.
Ultimamente acho que essa frase vem ecoando no escuro da minha mente, trancada a cadeado. Qualquer um pode ter a felicidade, basta alcança-lá — alguns podem pensar que ela está longe, bem no alto, inalcançável. Quando na verdade ela está dentro de você, esperando você liberta-lá. Não é difícil —
Depois que assisti Monster, algo que demorei fazer, por que eu não achava e na mesma hora desistia. Mas assim que achei não pensei duas vezes em assistir.
Também vou admitir que na primeira vez que assisti me perdi e fiquei confuso a maior parte do tempo, por isso assisti duas vezes e as coisas ficaram mais claras. (Ai vai uma dica)
A coisa que eu mais admirei nesse filme foi a maneira que eles separaram as perspectivas, foi simplesmente magnífico. Em um momento do filme você estava totalmente do lado da mãe de Minato, e na outra você botava fé no professor. No mesmo momento que sentia dó de Minato pelo suposto bullying que estava sofrendo, na outra você o culpava por praticar esse bullying.
Eu adorei esse sentimento de confusão a cada minuto, a cada visão.
Eu não tenho certeza, mas eu gosto de alguém. Mas não posso falar, então eu minto. Se não vão saber que eu nunca vou ser feliz.
Essa é outra frase que fica batucando na minha cabeça, ela tem muito sentimento: muita verdade, a verdade citada por um garoto apaixonado por outro garoto.
Não tenho mais a dizer sobre ela, apenas que derramei algumas lágrimas quando ouvi essa frase. A atuação foi boa o suficiente para me penetrar.
Quem é o monstro?
Essa é uma frase muito presente no filme, muito citada por Hoshikawa. Acho que podemos interpretar isso como uma real pergunta: Eu sou o monstro por ser diferente, ou você é um monstro por não aceitar as minhas diferenças?
Posso interpretar assim, mas talvez não seja a maneira certa.
Uma coisa que vim a perceber foi que Minato sempre esteve com sua mente em Hoshikawa, que des de cedo ele sabia que tinha alguma coisa diferente. Mas não hesitou duas vezes em ver que aquilo poderia ser algo negativo, quando não era. Ele não queria se envergonhar por ser alguém próximo de Hoshikawa, não queria ser chacota pra seus colegas.
Pra mim Minato cortar o cabelo ao ser tocado por Hoshikawa pode ser: ele não querer tanto essa proximidade, com a cabelo mais curto não seria diferente pra Hoshikawa, o que o faria não tocar nele.
Apesar de tudo, não teve dúvidas em tentar defender Hoshikawa dos colegas.
— Você tem um talento incrível.
— Eu chuto?
— Voce não chuta.
— Eu mordo e solto veneno?
— Voce não solta veneno.
— Quando você é atacado você perde as forças e desiste.
— Isso não é um talento.
— Você para de sentir.
— Eu sou Yori Hoshikawa?
Entre os diálogos, esse está junto dos meus favoritos. Não tenho muito a explicar, mas acho que Minato acertou quem é o “monstro” em cheio.
Algo a ressaltar, não muito relevante: na cena em que Minato estava indo encontrar Hoshikawa, mas sua mãe o acha na mesma hora, ele estava indo entregar uma flor para Hoshikawa. E essa flor significa nada mais nada menos que “amor jovem”, vi isso vários dias antes de fazer a resenha e simplesmente esqueci o nome da flor.
Alem disso, algo que achei extremamente fofo foi eles colocando seus nomes na redação sobre o futuro deles. Também não é muito relevante. Apenas saber que eles se veem juntos no futuro deixa meu coração aquecido.
Finalizando, e dizendo que Hoshikawa foi com certeza meu personagem favorito: ele era muito fofo, não só isso mas como meio decidido sobre o que fez — quem viu sabe o que ele fez —
Foram simplesmente as melhores duas horas da minha vida, não me arrependo nem por um minuto ou mísero segundo.
Agora uma pergunta: quando o cérebro de um humano é substituído pelo cérebro de um porco, ele é porco ou humano?