Conclave
Observar a beleza transcendental e apoteótica de uma pintura religiosa, com respeito e temor, ao contemplar a grandeza de um evento cuja importância não conseguimos compreender totalmente.
Foi assim que me senti ao assistir Conclave.
Tensão é a palavra que eu usaria para descrever esse filme. Ela está presente durante toda a trama, densa, esmagadora e apreensiva. Como um demônio, sua presença é a gravidade que prende os personagens ao chão. E é sobre os ombros do talentosíssimo Ralph Fiennes que esse demônio repousa. Sua atuação não é nada menos que magistral, revelando as sutilezas do Cardeal Lawrence, tão introspectivo e contido, que parece não fazer esforço algum.
A direção do longa é barroca. Cada cena poderia ser emoldurada e exposta em um museu, pois sua cinematografia merece esse tipo de apreciação.
Em suma, acabaram-se meus jeitos sérios de dizer o quanto gostei desse filme. Vou parar a valsa por aqui, antes que comecem os palavrões.