Superman
Em um mundo repleto de incertezas e filmes de super-heróis supersaturados, às vezes, tudo o que é necessário para ser extraordinário é justamente uma das características mais inatas da humanidade: a esperança. Esperança de que um desconhecido guardará um segredo seu, esperança na bondade, esperança de que alguém virá em seu auxílio e, principalmente, esperança de que algum filme de herói possa ser realmente incrível.
Dizer que Superman é incrível era algo que eu tinha esperança de fazer, mas, sinceramente, não havia histórico. Temos atualmente um oceano de adaptações de heróis — todas tão sem gosto, cheiro e cor, tal como a água — mas nenhuma delas mata a sede de ninguém. Contudo, todo o desgosto e desânimo de entrar numa sala de cinema apenas para sair dela do mesmo jeito que entrei foi curado por esse filme.
E, da mesma forma que os ossos quebrados do kryptoniano buscam pelo sol, eu me agarrei a essa obra, me envolvi nela, a absorvi — e posso afirmar com certeza que algo em mim sarou.
Agora, quanto aos aspectos técnicos, não há do que reclamar. A direção tinha uma visão clara: honrar o legado de um personagem tão querido e importante — e eu acho que James Gunn faz isso muito bem. Assistir a um filme é sempre interessante, pois conseguimos observar o relacionamento do diretor com as câmeras. Pelo sincronismo, pela fluidez das tomadas e pela montagem, dá para perceber que essa relação é antiga. E, falando em honrar legados, o maior peso recai sobre as costas do querido David Corenswet. Por ter feito seu trabalho tão bem como o Homem de Aço, ele o carrega como se não pesasse nada. Ele personifica o essencial de Clark Kent: um homem forte, obstinado e, sobretudo, gentil, que não pensa duas vezes antes de ajudar alguém em perigo.
Mas as dinâmicas entre os personagens foram o que realmente me fizeram adorar o filme em um nível superior. Os diálogos são a principal causa disso. Cada conversa, monólogo e grito são peças simples, mas meticulosamente posicionadas para compor essa grande obra de arte.
Portanto, termino esta resenha com tudo o que aprendemos do começo ao fim do longa: que o que nos torna pertencentes é justamente aquilo que é falho — que é humano. Que prejudicar alguém nem se compara à dificuldade de ajudar. Que confiar a alguém uma resposta é mais corajoso do que fazer dez perguntas. Acreditar — ou ser ingênuo, como preferir — nada é mais humano do que isso. E isso é imensurável.
Não importa de onde você vem. Essa sempre foi a mensagem — e com certeza continua sendo.