Marty Supreme
Timothée merece um Oscar por sua atuação. Sua energia incessante te prende durante todo filme ao lado de um roteiro que joga deliberadamente com as expectativas do público, Josh Safdie manipula seus personagens e espectadores em igual medida, mantendo a incerteza em cada cena.
O longa surge em um momento sensível, e desconstrói um dos mitos mais persistentes da cultura ocidental: o “sonho americano”, a narrativa clássica de que qualquer um, partindo do nada, pode alcançar, por puro mérito, talento e determinação implacável, o topo. Marty Supreme nos apresenta a face sombria de uma ambição sem limites, que transforma o self-made man em uma prisão de identidade, onde o sucesso não é realização, mas sim, sinônimo de sua existência. Marty, o protagonista, vive esse arquétipo desde a cena de abertura, onde sua índole narcísica se escancara, um manipulador, obcecado por grandeza, disposto a sacrificar laços afetivos e éticos em nome de um delírio de invencibilidade. Ainda assim, o filme nos conduz a torcer por ele, não apesar de suas falhas, mas por causa delas, seu carisma e vulnerabilidade pontual nos fazem projetar nele nossa própria vontade de ruptura, e, no fundo, reconhecemos nele o impulso socialmente premiado de “querer mais”, mesmo sabendo que isso corrói tudo ao redor.
A trilha sonora merece comentários a parte, tanto em sua trilha original como o uso de hits dos anos 80 em um contexto narrativo dos anos 50, Safdie sublinha a desconexão de Marty com o tempo e a realidade que o cercam.
Por fim, Marty Supreme nos confronta com uma inquietante reflexão: há um Marty em cada esquina, e talvez em cada espectador. Figuras dispostas a abrir mão de tudo por um traço de vitória, por uma marca na história. Poucos, porém, escapam do mesmo destino, a desilusão e a loucura que acompanham a busca cega pelo brilho do próprio nome.
“This is you?
Yeah, the chosen one”
Que muleke abusado kkkkkkkkk