

Bee movie remake


Caralho

Me interessei muito pela premissa de Obsession, e mais ainda por ser um longa de estreia de um diretor que veio do YouTube. O diretor claramente sabe o que está fazendo. Trabalha com planos muito interessantes, que se estendem além mesmo do que está em foco. O que mais me impressiona no filme é como Curry Barker usa o espaço negativo para foreshadowing, ou seja, mostrar o que está vindo. Muitas vezes que Bear está em foco, Nikki se encontra por trás, em direção à ação. Traz um dinamismo muito interessante para o filme As atuações, no geral, são intermediárias. São reativas, fazendo bem o básico. A exceção é Inde Navarrette, que está absolutamente amedrontadora. Atuação geracional, digna de premiações, algo que, espero eu, irá alavancar a carreira da atriz. Meia estrela é somente por ela. Os personagens secundários, como disse, são apenas reativos, mas o amigo de Bear me irritou profundamente. Não por uma atuação ruim, mas sinto que ele está na história somente para servir como exposição e alívio cômico. Sarah, por exemplo, tem um propósito mais bem definido. Entretanto, os problemas no filme começam no roteiro. Nos 109 minutos do filme, senti que não houve pausas. O horror em Obsession é muito frontal, ou seja, imagético, explícito. Isso por si só não é um problema, mas o filme não se preocupa em desenvolver a agonia que o protagonista sente, ou a loucura de Nikki. O filme se desenrola de forma imediata. Bear quebra a barra, e na mesma cena Nikki já está no nível extremo de loucura. Uma premissa como essa pede um desenvolvimento melhor, ao invés de diversas sequências de loucura extrema seguidas. O terceiro ato é muito bom, não em potência máxima, quando se tem a perspectiva de que o filme inteiro é um grande clímax, mas ele resolve a história de forma muito interessante.