Hello, Dolly!
Enquanto assistia o filme percebi que era um bem "recente", no sentido de ser um musical típico da antiga Hollywood, até que vi os filmes que lançados no mesmo ano, foi em 1969 que Midnight cowboy foi lançado e venceu o oscar de melhor filme, logo Hello Dolly fechou perfeitamente uma era do cinema americano, os dois são um contraste perfeito. Um é um musical, filmado nas cores vivas de technicolor, com personagens curiosos, inocentes, felizes, apaixonados,cenários épicos, cheios de figurantes,números musicais bem trabalhados,vale ressaltar que foi dirigido por Gene Kelly, então no quesito música e dança o filme é perfeito, no geral o filme é um otimista típico dos anos 50 e 60, isso refletiu no prejuízo dado ao estúdio de 10 milhões de dólares, foi revelado que esse tipo de filme não se manteria como o padrão, agora era o momento da nova Hollywood, representada por Midnight cowboy, a Nova York retratada em Hello Dolly, feliz e colorida, agora era trágica e suja, os personagens sofriam e não existe a música para esquecer as tristezas.
Além de ser um marco na história do cinema, o filme em si tem uma qualidade específica, Barbra Streisand, sua presença marcante em cena, pela sua voz perfeita e marcante, e pelos figurinos feitos para ela fazem o espectador não tirar os olhos da tela, Dolly é uma protagonista exemplar, seu sofrimento e luto são cobertos por trabalho, e o medo de voltar a sociedade é ocupado por ajudar os outros a entrar na mesma. O elenco coadjuvante também não se perde, Walter Matthau, mesmo mais velho que Barbra o que gera um estranhamento nesse casal, retrata essa imagem do rabugento e isso gera coisas muito engraçadas.
As músicas são simplesmente incríveis, são bem marcantes, e somadas aos cenários e dançarinos monumentais, criam uma atmosfera que te leva ao êxtase, o principal são os figurinos, a extravagância detalhista da riqueza beirou o rococó, com os chapéus e vestidos enormes, Hello Dolly é uma experiência que eu morreria para ver no cinema.