



A qualidade do filme não está na mensagem política. Nisso, Uma Batalha Após a Outra, arrisca pouco. É certo que a crítica à extrema direita estadunidense está lá. Assuntos como políticas anti-imigração, racismo — não só pelo governo, mas também por um culto de bilionários que dependem da mão de obra escrava imigrante — masculinidade frágil, tudo isso é abordado. É, aliás, isso que vai levar a revolta do grupo revolucionário French75.O problema está na forma como esse grupo é retratado. PTA escolhe mostrar os problemas desse grupo: como traições e “extremismo” em algumas ações( principalmente uma cena logo no início, com a personagem Perfídia). Claro, existe por parte do realizador alguma simpatia pela sua causa, por alguns elementos do grupo — principalmente pelo Bob (Di Caprio) — mas parece querer uma certa moderação, o que, convenhamos, não funciona para “derrotar” fascistas.Contudo, isto não tira o facto que é um bom filme, com tópicos interessantes, e a crítica à extrema direita é sempre bem-vinda. E, em tudo o resto, o filme é perfeito onde as quase três horas de duração passam a voar. A realização de Paul Thomas Anderson proporciona-nos excelentes cenas de ação e perseguição, boa fotografia e uma ótima trilha sonora. A atuação de Leonardo Di Caprio, merecedora de indicação ao Óscar, é outro ponto positivo.Onde o filme também brilha é nas personagens, especialmente Lackjaw, o general facho, e o Sensei Sérgio, interpretado por Benicio Del Toro. São ambos hilariantes, e, no caso do general, uma ótima sátira. Para mim, das melhores personagens do cinema americano do século XXI. E é isso, ri-me muito a ver este filme. Tem um humor que varia entre “silly jokes”, humor político e até humor negro, funcionando muito bem. Resumindo, o filme vale todo o hype que tem recebido.