Hamnet
Como alguém muito fã de Shakespeare (inclusive fiz minha monografia sobre ele rs), ver Hamnet foi uma experiência bem diferente. Não é só um drama de época bonito, é um filme que claramente foi feito por quem realmente entende muuito bem o universo dele.
Quando vi que a direção era da Chloé Zhao, já sabia q seria pedrada kkkkk. Ela tem um jeito muito íntimo de contar história, bem sensível msm, e aqui funciona demais. Parece que vc não tá vendo uma “biografia”, tá vivendo dentro daquela casa, daquele silêncio, daquele vazio.
Os detalhes são absurdos. Shakespeare sempre misturou cotidiano com tragédia pesada, e o filme pega exatamente isso. A questão do nome pega MUITO: Hamnet e Hamlet eram praticamente o mesmo nome na época, então fica impossível não pensar na peça. E ele não é “William Shakespeare” o tempo todo, é só o Will, o que deixa tudo mais humano.
Achei muito foda tbm usarem “Agnes” em vez de Anne, que é um nome historicamente documentado (inclusive no testamento do pai dela q ele cita o nome Agnes tbm). São escolhas pequenas mas que mostram um cuidado sinistro.
E contar tudo pela perspectiva dela muda completamente a parada. Em vez do gênio distante criando obra-prima, vc vê a mãe… outro momento q mostra isso por exemplo, é na peça quando ela parece achar um desrespeito usar o nome do filho, até entender que é justamente assim que ele continua vivo.
O filme traz muito esse ponto específico da troca, eu pelo menos vi desse jeito… O irmão troca de lugar com a irmã na doença, a história “troca” o foco pro olhar da Agnes, e no final a peça muda tudo, com o Will invertendo os papeis, mantendo o filho presente. A cena de todos colocando a mão na peça é absurda tbm, parece um ritual coletivo de luto e de memória ao mesmo tempo. Não é só teatro, é como se ele estivesse ali presente. Simplesmente FOD4.
Pra mim foi um dos poucos filmes em que senti que tava vendo tudo muito claro, sem precisar ficar “imaginando”. Cada cena fica marcada. E a liberdade poética foi usada exatamente da forma q tinha q ser usada.
No fim parece que o filme entende exatamente o que Shakespeare fazia de melhor: pegar dor, amor, culpa, saudade, tudo misturado, e transformar em algo que continua vivo séculos depois.
Pqp q filme fod4. De verdade mesmo.
#pra assistir antes de morrer