Serial Experiments Lain
Se nosso corpo não passa de uma casca vazia, já que na morte ficamos todos conectados, o que então nos impede de morrer? Essa é uma dúvida que o próprio anime levanta e responde, e isso é simplesmente fantástico. Os outros temas que ele aborda também são incríveis, como a questão da identidade, com a Lain não sabendo quem ela é de verdade, por existirem várias versões diferentes dela. Isso acontece porque ela é um programa, e cada pessoa tem uma Lain moldada em sua própria cabeça, criando uma visão particular dela e fazendo existir essa parte da Lain.
Ela também não sabe se é apenas uma garota comum ou uma entidade poderosa, já que ela existe desde a criação do Nexus. A forma como o anime retrata a solidão e como a internet nos molda é perfeita, não tem erros.
A pergunta inicial é respondida de forma muito humana com o que nos impede de abandonar nossas cascas vazias são os nossos vínculos, nossos afetos e as pessoas que amamos. É o desejo de viver mais momentos juntos, de compartilhar coisas reais, coisas que podem ser sentidas de verdade. Por isso, no final, ela não escolhe ser Deus nem viver apenas das crenças falsas e forçadas das pessoas, mas sim ser lembrada como humana, por causa dos vínculos que construiu. São esses vínculos que formaram ela como um ser humano e um ser real com sentimentos e emoções que já existia porém agora mais forte e real, e não apenas como mais uma consciência poderosa qualquer.
E como ela é ou era apenas um programa de romper a barreira entre o mundo real e o nexus para o falso Deus de antes, e com o rompimento dessa barreira fazendo com que as memórias, consciência junto das pessoas entrem em colapso causa da existência desses 2 mundos de consciência coletiva faz com que o sacrifício que ela realiza só a torna ainda mais humana, mostrando que ela possui sentimentos, afeto e um vínculo forte com aqueles que ama, com as pessoas e com o mundo.
E é um sacrifício sim pois como é dito "se ninguém se lembra de você, então você nunca existiu."
O que torna a decisão da Lain ainda mais poderosa não é apenas o sacrifício, mas o fato de ela escolher sentir. Mesmo sendo um programa, mesmo podendo existir como algo acima dos humanos, ela opta por carregar a dor da perda, do esquecimento e da solidão. Porque sentir, em Lain, é mais humano do que existir para sempre.
No fim, Lain não é sobre tecnologia. É sobre pertencer, sobre como a internet molda, fragmenta, aproxima e afasta e sobre como mesmo num mundo totalmente conectado, o que ainda nos mantém aqui é algo absurdamente simples como querer mais um momento real com alguém que importa.