The Plot Against America
Em um certo momento da trama, Bess Levin, a jovem mãe de uma família judia do subúrbio americano (revestida de uma humanidade tocante por Zoe Kazan), busca informações sobre imigração na embaixada do Canadá. Bess teme que a institucionalização do ódio, impulsionada pelo recém eleito presidente, possa chegar até sua família. Eu, um rapaz subúrbio do Rio de Janeiro, tive a mesma atitude logo após o resultado das últimas eleições presidenciais. Tanto pra mim quanto para Bess o Canadá acabou alcançando um status utópico. Uma espécie de refúgio contra a ignorância e a necropolíticas.
Admito que grande parte da força de “The Plot Against America” vem da forma como ela conecta com a minha experiência emocional durante as ultimas eleições. São 6 episódios ressoam como se fossem desabafos entalado na garganta. Gritos de ansiedade causados pelo medo do culto a ignorância propagado por uma avalanche de perversão conservadora.
David Simon e cia compõe um "fuck you" pra America de Trump, mas que facilmente pode ser adaptado para o Brasil de Bolsonaro. Brada também um "vai pro inferno" pra todos os (falsos) líderes religiosos que legitimam a banalização do absurdo em troca do gosto pelo poder - sejam eles rabinos ou pastores.
"The Plot Against America" terminou nessa segunda do jeito que começou: doloroso e revoltante. Traduz de forma elegante a forma como Phillip Roth desnuda as fragilidades das instituições democráticas. Guarda o pior bem pro final, quando deixa claro o preço que se paga pela omissão.
#hbo