Cure
A fragilidade da moralidade e da sanidade. Eleva os temas de obsessão com o mal (explorados também em Zodiaco) a um nível muito mais sombrio e psicologico, refletindo sobre o lado sombrio presente no ser humano. Kiyoshi Kurosawa atinge uma maestria técnica, usando o silêncio e as sombras, manipula a percepção do espectador de modo espetacular, atenuando a linha entre o real e o irreal, o físico e o psicológico, a sanidade e a insanidade. Um filme que se recusa a explicar toda sua complexidade, cabendo espaços para multiplas teorias e interpretações sobre sua temática, mas também sem perder o chão no seu gênero de suspense. Muito impactante, mas também dificil de expressar em palavra. Deixou uma sensação de vazio, pois, no fim, Mamiya era apenas um receptáculo para a Cura, e Takeba o novo herdeiro, que abraça seu lado sombrio mata sua esposa, a quem ele considerava um fardo. Mesmo se o assassino foi morto pelo nosso "herói", o ciclo de violência perdura, perpetuado por quem almejava pará-lo...