



Incapacidade total em despertar alguma sensação e de fazer cenas de vôo minimamente interessantes; a câmera está sempre próxima ao rosto dos personagens, como também está sempre próxima dos jatos. Cria-se então, um embaralhamento, uma junção de acontecimentos desarticulados, mal decupados e mal montados — não existe qualquer noção de espaço, tampouco de posicionamento geográfico coerente. Tony Scott não tem tato cinematográfico algum e é incapaz de dramatizar qualquer coisa, e isso é representado de várias formas no filme: 1. são adicionadas músicas fora de hora e aleatoriamente o tempo todo; 2. não tem como despertar emoção de algo que é filmado [deste modo](https://youtu.be/lThUWB81i4g?si=uVeK2fntLK1diSnG); 3. romance chinfrim desprovido de qualquer atração.

Em *Ataque dos Clones*, George Lucas faz um filme que funciona como prenúncio do fim. Dez anos antes, em *[A Ameaça Fantasma](https://boxd.it/el6YnH)*, a abordagem era mais leve, amena e lúdica (a batalha ao fim do filme só reforça essa ideia, por ser apresentada com um visual mais claro e ensolarado). Mas aqui a história se amplia, abandonando o tom leve de seu antecessor e substituindo-o por uma violência mais intensa, que se revela logo no início do filme, com a morte da isca de Padmé, quando a nave explode. Além disso, Anakin se mostra cada vez mais conflituoso, demonstrando comportamentos mais agressivos. A sequência em Tatooine evidencia isso; após encontrar sua mãe morrendo, Anakin massacra toda a aldeia, incluindo mulheres e crianças, uma ação que confirma esse seu lado, tornando-o cada vez mais agressivo. > *Máquinas fazendo máquinas. Que perverso!* George Lucas trabalha brilhantemente com esse tema de homem × máquina, abordando a mecanização e a inteligência artificial, desde a criação dos clones até o simbolismo visual da mão robótica de Anakin ao segurar a mão de Padmé, representando o conflito entre a humanidade e o autoritarismo mecânico. O mais interessante é como Lucas utiliza a câmera digital e cenários virtuais, gerando uma estética artificial na textura da imagem que integra-se bem à proposta futurista, fazendo com que forma e conteúdo dialoguem uniformemente e, com isso, explicitando na imagem o próprio debate que o filme levanta. Em defesa de Anakin e Padmé Fala-se muito sobre o romance entre Anakin e Padmé ser algo brega e até mesmo vergonhoso. Só que esses momentos são devidamente naturais, dado que Anakin é um jovem que, além de ter crescido escravo e ter sido separado de sua mãe, passou a vida inteira em processo de treinamento Jedi por ser o escolhido, e isso reverberou em sua vida social; ele nunca teve acesso a esse tipo de relacionamento, visto que os Jedi são proibidos de terem laços afetivos. Portanto, é perfeitamente compreensível a inaptidão social de Anakin, o que gera esses momentos de “vergonha alheia”. A intenção não é ser um romance convencional ou melodramático. Trata-se, afinal, de uma tragédia anunciada.