Midnight Mass
A Missa da Meia Noite tem um início bem instigante, mas possui algumas das derrapadas mais costumazes dos trabalhados do Flanagan.
Aqui, a influência da obra de Stephen King é bem notada. Poderia muito ser um conto ou um livro dele, especialmente em sua primeira metade. O personagem do Padre Paul em muito se assemelha às figuras religiosas de A Hora do Lobisomem e Revival. A atuação do elenco inteiro está incrível, mas sem dúvidas Linklater e Sloyan roubam a cena. A direção como sempre está um primor, e a cinematografia em alguns momentos enche os olhos.
Mas talvez o grande defeito do Flangan esteja mais acentuado aqui: a escrita prolixa. Flanagan é um roteirista hábil, e escreve ótimos monólogos em suas séries. Mas aqui, a quantidade de monólogos é excessiva ao ponto de ficar cansativo. Sim, são bons textos, mas a quantidade faz o espectador perder a paciência em alguns momentos. Mesmo no clímax da tensão, o monólogo está lá, fazendo com que a escalada de tensão se torne apenas mais um momento de exercício de texto.
Essa percepção do prolixismo do texto vai se acentuando a cada episódio, de modo que atrapalha o desenvolvimento de alguns personagens (como os dramas do xerife Hassan e sua relação truncada com o filho, ou até mesmo a relação entre Paul e Sarah) e até mesmo o ótimo personagem de Linklater vai soando avulso e esvaziado no final.
No entanto, Flanagan é talentoso, e mesmo em meio às falhas ele consegue entregar muitas belezas. Além da cinematografia que traz belos momentos (em especial, no amanhecer), a forma como ele tece as metáforas e paralelos entre os personagens e os arquétipos e livros bíblicos é muito boa, e nisso eu dou destaque ao episódio 5 (Evangelho), em que acompanhamos um testemunho que nada deixa a desejar a uma historieta bíblica.
No final das contas, apesar das derrapadas, A Missa da Meia Noite ainda é uma minissérie muito boa de acompanhar e satisfatória para aqueles que gostam do estilo do Flanagan de trabalhar.