Rope
Fazia muito tempo que eu não assistia esse filme mas eu lembrava o quão impactada eu tinha ficado. E, ao revê-lo, eu percebo não só como o impacto permanece.
Tecnicamente falando, o filme é estupidamente primoroso. Os takes longos e o trabalho de edição fazem com que o mise-en-scene teatral se mantenha, se soar forçado ou inadequado para a linguagem cinematográfica. Em especial, os takes em que Hitchcock opta por enquadrar o baú tornam tudo mais macabro e elevam a tensão das cenas. Ele faz com que o público seja um cúmplice do crime dos protagonistas.
As atuações são espetaculares, especialmente o trio de protagonistas. Desde os diálogos e monólogos impecavelmente trabalhados até a composição de postura corporal de seus personagens.
O roteiro também é afiado, principalmente nos embates intelectuais de Brandon e Rupert. Fica claro tanto os aspectos sociopatas de Brandon quanto em sua interpretação torta do conceito Nietzscheniano do Além-Homem (que foi algo retirado do crime real).
Uma grande joia do cinema e da filmografia Hitchockiana.