The Interview
A relação do patriarcado, do conservadorismo e do apoio das elites ao golpe militar.
Em 20 minutos, Helena Solberg, até o momento o único nome feminino do Cinema Novo, faz sua estreia com um potente curta-metragem sobre a visão de jovens mulheres de classe-média e alta acerca de virgindade, sexo, casamento e submissão.
Diferente do que talvez se imagine a princípio, as vozes que ecoam ao longo do filme, embora sejam de mulheres jovens, muitas vezes com oportunidades de instrução acima da maioria das população na época, em plena década marcada pela contracultura e revolução sexual, ainda exibem um pensamento altamente conservador e que reproduz falas machistas principalmente no que tange a virgindade, o casamento e o papel da mulher no matrimônio.
Como um reforço desse paradoxo, Helena nos apresenta a imagética de umra jovem que, a princípio, apresenta os comportamentos modernos, mas que ao longo do filme como a se arrumar para seu casamento e, assim, assumindo A persona de "bela, recatada e do lar". Ao final, a candura das imagens e das vozes é substituída pela truculência das imagens do golpe militar.
Helena Solberg já apresenta em seu debut uma direção muito forte, que traz a reflexão do papel da mulher no contexto de submissão patriarcal, sem subestimar a capacidade do espectador. Enquanto produto de sua época, o curta traz um interessante material de análise da percepção feminina numa época pré segunda onda do feminismo; enquanto produto audiovisual, é uma grande aula do estudo da imagem e da forma.