Tomboy
eu me vejo nesse filme mais do que eu gostaria. ser encaixado em um lugar que outras pessoas te colocaram é algo que todos nós já passamos na vida, mas existe, sempre, quem se encaixa e quem não se encaixa. ser alguém que não se dobra pra caber nesse quadradinho minúsculo te causa dor, exclusão, confusão, além do constante questionamento se vale a pena mesmo ser você em um lugar onde "não te cabe". pra muitos, a identidade de gênero nunca foi uma pergunta e sempre foi a mesma resposta que te deram quando você nem mesmo sabia perguntar: quando deram a você bonecas ao invés de carrinhos, um quarto rosa o invés de azul ou até mesmo quando te dizem que "ei, fecha as pernas! isso não é jeito de moça sentar." e muitos outros exemplos que todo mundo já deve estar cansado de ouvir.
eu espero que, mesmo que quem tenha visto esse filme e não tenha a mesma vivência que eu, esteja claro o quão desafiador é pra uma criança não ter ou não saber as respostas pra os questionamentos que ela tem sobre quem ela é. nesse filme, o mikaël tem ciência de que se ele disser aos pais o que ele realmente sente vai ser repreendido, e, caso exista uma forma pior de ensinar como viver socialmente pra uma criança, eu ainda não sei.
a relação do mikaël com a jeanne foi uma das relações de irmãos mais lindas que já vi em filmes. eles foram tão bem construídos com uma delicadeza muito característica. tanto o companheirismo quanto a fotografia do filme em si trazem uma nostalgia que você sente como se tivesse construindo esse relacionamento com eles.
“você beijou uma menina, isso não é um nojo?”
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“sim, é um nojo.”
fico um pouco menos triste com o final por saber que a lisa acabou ainda sendo amiga do mikaël, mas ainda sim não acho que é um final merecido pra ele, até porque não vimos ele realmente entendendo a si mesmo ou ninguém oferecendo a ele o conhecimento e a educação emocional pra saber se questionar da forma certa, mas ainda sim, é um alívio de toda a pressão que foi construída nos últimos trinta minutos do filme.
#lgbtqiapn+#5★