Queer
I'm desimbodied.
inspirado na autobiografia homônima, Queer se desdobra como o filme mais diferente e inovador de Luca. Como uma mistura de Suspiria (2018), Me Chame Pelo Seu Nome (2017) e Rivais (2024), Guadagnino consegue (pela quarta vez consecutiva!) se superar como diretor e entrega seu melhor trabalho ate o momento. Estilístico, mas sem se tornar uma bagunça. Barulhento e agitado, mas sem se tornar cansativo. É como se Luca soubesse exatamente onde fica o ponto de equilíbrio do cinema e o que fazer para que todas as peças de um quebra cabeça se encaixem.
outra tradição de longa data nos romances do diretor é o uso diferentes tipos de toque em cada um deles. em Me Chame Pelo Seu Nome, o toque é desejo. Em Até os Ossos, o toque é conforto. E em Queer, por mais previsível que isso soe, o toque é amor, do mais profundo. e por mais óbvio (e cafona) que pareça, o filme se contextualiza em uma América Latina dos anos 1950, quando apenas tocar outro homem poderia ser comparado com dar um soco em todas as pessoas ao redor. diferente do livro, as cenas de sexo são poucas, mas intensas o suficiente para fazer com que até os acontecimentos mais cotidianos pareçam eróticos — claro, quando Eugene permite que sejam.
outro trabalho de destaque é o dos atores principais, Daniel Craig e Drew Starkey. Um ator veterano, que quase se redescobre em uma das melhores performances de toda a sua carreira, totalmente entrosado com uma das maiores revelações do ano no cinema — que, embora já fosse semi-conhecido por participar de Outer Banks, atua pela primeira vez em um projeto notório de verdade.
no fim, as duas horas e dez minutos passam como se não tivesse nem metade disso. o filme é expansivo, potente, tocante e, por cima de tudo isso, cinematograficamente lindo.
#sofia#cinema