Nosferatu
"Você me despertou de uma eternidade de escuridão. Você... Você... Você não é para os vivos. Você não é da espécie humana."
Robert Eggers recriou Nosferatu com uma reverência gótica e uma atmosfera sufocante que transforma cada quadro em uma pintura de horror. Pra mim não foi apenas uma homenagem ao clássico de 1922, mas uma reimaginação que captura o medo primordial do desconhecido.
A fotografia e a ambientação desse filme me mergulharam em uma atmosfera densa e bem feita, enquanto o elenco entregava uma performance magnética. A trilha sonora, de forma melancólica, amplificava o sentimento de desesperança e de estar preso em um pesadelo febril (que os personagens experenciavam).
Falando mais sobre a fotografia do filme, Eggers se apoia fortemente no expressionismo alemão, resgatando ângulos distorcidos, contrastes extremos e sombras alongadas que parecem vivas, como se a própria escuridão fosse um personagem na história.
Cada quadro pareceu remeter à obras clássicas do terror, de forma que não perdesse a identidade do diretor. Os enquadramentos meticulosos e os movimentos de câmera calculados criam um ritmo lento e hipnótico, reforçando a sensação de um pesadelo febril.
Eu poderia fazer o obvio e criar um paralelo com o livro Drácula, de Bram Stoker (já que Nosferatu é uma adaptação não oficial do romance) mas prefiro traçar um paralelo entre esse filme e O Chamado de Cthulhu, já que Eggers já se afirmou um admirador de Lovecraft algumas vezes.
Esse filme é mais do que um simples conto de vampiros, Eggers o transformou em uma obra sobre o medo do desconhecido, um terror cósmico que lembra O Chamado de Cthulhu, de Lovecraft. Assim como a criatura de Lovecraft não é apenas um monstro, mas a manifestação de um horror insondável, o Conde Orlok de Eggers não é apenas um vampiro, mas a sombra do inevitável.
Eggers canaliza a paranoia e o desespero lovecraftiano ao mostrar personagens impotentes diante de um mal que não pode ser destruído, apenas suportado. O verdadeiro horror não está no ataque do vampiro, mas na sua inevitabilidade. Este filme evoca o sentimento de estar diante de algo que a mente humana não deveria compreender e como nas páginas de Lovecraft, temos apenas a certeza de que a criatura sempre esteve ali, esperando.
Eggers mostrou mais uma vez que o horror pode ser belo e perturbador ao mesmo tempo.