Sinners
Sinners é um bom filme, mas nada além disso. Ele flerta com a genialidade, mas tropeça tentando equilibrar duas ideias que não se completam. Toda a trama dos vampiros parece fora de lugar, como se o sobrenatural tivesse se forçado em uma história que já tinha força o suficiente. Se o filme se concentrasse apenas na trama do dinheiro roubado de Al Capone, ou na importância cultural do blues, na tensão racial e na história da cultura afro-americana, teria sido algo realmente especial. Teria dado mais força para a mensagem essencial que o filme traz.
As atuações cumprem bem o papel, mas o verdadeiro destaque está na trilha sonora de Ludwig Göransson. Suas composições dão alma ao filme, o som preenche o que o roteiro às vezes não consegue, tornando cada cena mais viva, mais humana. Visualmente, Sinners é hipnotizante: há uma elegância, uma atmosfera que lembra Devil in a Blue Dress (1995), mas com o olhar contemporâneo de alguém que cresceu entre o jazz e o caos.
Ryan Coogler dirige com segurança, como alguém que entende o peso simbólico de cada imagem. Ele continua sendo um contador de histórias visualmente potente, e sua sensibilidade social aparece em cada plano. Mas aqui, parece dividido entre duas visões de cinema: a que quer tocar a alma e a que quer entreter com o fantástico. No processo, Sinners perde um pouco do equilíbrio, mas sem jamais deixar de ser fascinante de assistir.
No fim, Sinners tenta unir o sagrado e o profano, o real e o mítico, e acaba se perdendo entre os dois.