Crash
definitivamente não é um filme pra todo mundo, uma mistura de adrenalina, erotismo (mais exatamente o desejo insaciável de prazer sexual) e uma banalidade acerca da vida, quase como uma roleta russa, a cada acidente de carro provocado propositalmente, sem a certeza do que virá depois, e com o tesão que isso gera nos personagens, um filme estranho e bizarro, no bom sentido da palavra, Cronenberg consegue fazer um filme que é complexo de descrevê-lo, tanto quanto os personagens são, todos com muitas camadas, e que é nítido a mudança e o desenvolvimento neles, toda a ambientação do filme, a trilha sonora, são magníficos, passam um clima único, você não se sente em uma época específica, esse filme poderia se passar facilmente em qualquer época, pois o roteiro gira em torno de fetiches e até onde vai o limite humano pra se satisfazer ao máximo, o filme definitivo sobre Simforofilia, inclusive, a opção sexual dos personagens é deixada de lado com o propósito de demonstrar o quanto esse detalhe sobre acidentes é maior do que todo o resto, heterossexualidade é deixada de lado para os personagens que o filme gira em torno, ao ponto da traição ser considerada consentida pelo casal principal, desde o início do longa, e isso se estender até o final, como se o tesão deles fosse desesperador ao ponto de se tornar incontrolável, e sucumbirem a esse desejo, claro, com o fetiche mórbido que envolve acidentes de carro mais especificamente, o que acontece mais tarde na trama, um dos melhores do Cronenberg, se não, o melhor, uma experiência única, diria que é um dos mais diferentes de sua carreira e que desafia o desconforto do público, o sentimento que o filme passa é exatamente esse, desconforto e a sensação de um sonho lúcido a todo instante, maravilhoso.