Cure
A Obra prima de Kiyoshi Kurosawa
Aqui o diretor consegue de forma excepcional criar um horror no subgênero de thriller noir, onde uma narrativa envolta em investigação criminal se torna cada vez mais sombria e pesada, e mesmo que o longa se paute bastante no Mesmerismo (hipnoterapia baseada na pseudociência de Franz Mesmer) são informações que mesmo com um telespectador leigo, cumprem seu papel e colaboram para a criação de um ambiente de horror de uma forma lenta e gradual até alcançar o seu climax, que ao mesmo tempo responde e deixa dúvidas (principalmente com o final no restaurante, que faz total sentido visto que o próprio protagonista desabafa ao ''assassino'' sobre seu descontentamento geral em relação a sociedade, no seu casamento em ruínas, que poderia ser interpretado pela doença da esposa, além do paralelo nítido entre a máquina de lavar sempre ligada, emitindo os mesmos sons, o ato rotineiro do personagem em sempre desligar, tudo isso simbolizaria uma relação desgastada, repetitiva e tóxico, com o fatídico final concluindo esse dilema moral) além de que, a hipnose vista aqui também serve metáforas que vão além do próprio Mesmerismo (que seria a ''cura'' das doenças físicas e mentais através de gestos ou toques para equilibrar o ''líquido invisível'' que permeia a todos nós e que Franz acreditava existir, algo totalmente pautado no espiritismo, e que apesar de se demonstrar um fracasso, foi o responsável pela criação da Hipnose como conhecemos, e obviamente que esse ato de invasão psicológica em um indivíduo seria usado posteriormente em tentativas de transformar em armas governamentais como o próprio Projeto MKUltra) as metáforas que ao meu ver seriam mais significativas, simbolizariam justamente a quebra do ''eu'', o que o Mamiya realmente fazia, era justamente uma forma de ''libertação'' manipulativa em propor as vítimas para que cometessem atos horríveis, sendo movidos ao sentimento mais primitivo do ser humano, o ódio, toda a trama se move por ódio, a resolução final é a demonstração perfeita dessa liberdade odiosa e de como ela é corruptiva, como corrói (principalmente um protagonista que está nitidamente próximo de um colapso mental, tanto pelo trabalho quanto pela vida social), enfim, sinto que falei demais e ninguém irá ler isso ou se importar o bastante, fica aqui a minha recomendação desse ótimo filme, veja com a mente aberta!