Phenomena
''I love you, I love you all, I love all of you.''
Uma obra que consiste em uma mistura de giallo com elementos surreais e abstratos, paranormalidade, Iron Maiden e Motorhead, e tudo sendo equilibrado de forma magnífica, Dario Argento era foda.
A prova de que o Argento é um dos maiores diretores do seu tempo sendo em como suas obras possuíam um clima único, cada uma sendo tão distinta umas das outras, e com Phenomena não seria diferente, ele conseguiu criar uma narrativa envolvente sobre assassinatos em séries de várias garotas em uma região na Suíça, e misturar com uma jornada própria de autodescoberta da Jennifer, indo contra a fórmula tradicional de adequação ao mundo, mas de aceitar sua diferença e abandonar a normalidade como um ideal, inclusive, o seu ''dom'' ou o que você queira chamar, é tão particular e estranhamente curioso, que eu senti como se o Argento estivesse ressignificando as pragas bíblicas (e como elas funcionavam como instrumento da vontade divina) para algo mais simbólico sobre adolescência, causando um equilíbrio tanto caótico e punitivo (sobre os insetos defenderem a Jennifer quando a mesma está em perigo) quanto de forma contemplativa gerando uma beleza genuína nessas situações (o próprio vagalume guiando a personagem, eles representam simbolicamente a alma dos mortos na tradição japonesa), eu gosto como existem tantas excentricidades que conseguem marcar esse longa em vários aspectos, a relação quase paternal entre o doutor McGregor e a chimpanzé Inga, o clima autoritário do colégio interno, a investigação policial acontecendo em paralelo e a tendência dos personagens em chamarem a região de ''Transilvânia Suíça'', tudo isso em colaboração com o Iron Maiden e o Motorhead dão um aspecto tão estranhamente reconfortante e desconfortante ao mesmo tempo que você sente como se estivesse acompanhando um jogo (não atoa o filme inspirou a franquia Clock Tower), enfim, é facilmente um dos melhores filmes do diretor e deveria ser obrigatório para qualquer um que goste de terror.