Blow Out
se a montagem nos permite perceber detalhes que no momento não havíamos notado e que após a sua consumação passam a ganhar sentido, o que é então o real e a ficção? em blow out, de palma parece sugerir que no cinema nunca acedemos ao real de forma “pura”. a realidade chega-nos sempre mediada por um conjunto de muitos outros fatores: seja desejo, paranoia ou simplesmente aquilo em que queremos acreditar. e o mais cruel é que, mesmo quando o jack descobre a verdade, essa verdade acaba reciclada como efeito sonoro num filme de terror barato. o real torna-se material da ficção. tudo isto acompanhado de uma sensualidade que só o de palma sabe transmitir mesmo sem elementos sexuais. ninguém filma como o homem