Sinners
os primeiros minutos do filme estabelecem o contexto histórico e a vida dos personagens na pequena cidade. os dois irmãos, que vão reunindo velhos amigos enquanto nos dão a conhecer as diferenças entre ambos, vêm de Chicago, em busca de trazer um lugar onde a comunidade negra possa celebrar a sua cultura a meio de tanta segregação, desumanização e opressão. o problema é que os brancos gostam de blues, mas não gostam de quem os toca, a analogia perfeita à apropriação cultural.
samuel surge como o músico infeliz com a sua condição enquanto “escravo” capaz de curar a sua comunidade, de lhes trazer liberdade e harmonia através da sua música. e os vampiros, liderados por Remmick, um dos antagonistas mais carismáticos que o cinema viu nos ultimos tempos, anseia por esse poder para que se possa reconectar com os seus antepassados numa utopia onde todos são iguais. mas boas intenções não justificam ações violentas e destrutivas. no final, samuel reza, porque acredita que as orações, outrora utilizadas para perpetuar o mal contra remmick, o vão salvar.
a trilha sonora é impecável, as atuações não destoam em nada da premissa, temos jumpscares, temos cenas musicais de cair o queixo, temos ação, temos drama e ainda deu tempo para uma subtil referência a do the right thing, do spike lee, para além de termos racistas a morrer.