I'm Still Here
Ser brasileiro é uma dádiva.Esse filme é pura arte, expressão e a mais completa experiência cinematográfica brasileira que eu já tive o prazer de assistir. > Uma carta de amor a cultura brasileira.A construção dos cenários e o tempo em que se passa o filme é esplêndida. Ele esbanja paixão artística e amor cultural.
As músicas, o que falar das músicas? Nenhum filme conseguiu me fazer sentir em relação as músicas como esse, você pode até gostar de uma música durante o filme, mas querer perder nela para não sair mais, como se tivesse ido ao cinema apenas para ouvir música, cara, isso é surreal. As quebras da música apesar de me deixarem com aquele gostinho de quero mais foram perfeitas, se repetem ao decorrer da obra criando uma sensação de narrativa e artes moldadas com maestria.
Os cenários e a captura das cenas são pura arte fotográfica. A utilização da câmera antiga pela Vera sempre me alegrava, felicidade por estar assistindo algo tão adorável.
A estética antiga te imerge como nenhuma outra, utilizando de referências de grandes nomes da cultura brasileira e estéticas do "jeitinho brasileiro". É uma viagem no tempo deslumbrante.> A repressão e a luta.A história de Rubens e PRINCIPALMENTE de Eunice é motivo de orgulho para qualquer brasileiro.
A escolha em abordar o lado da família e como eles lidaram com esse esquecimento forçado de seu pai é brilhante. Rubens sem dúvidas foi um homem de honra e extrema importância. Mas a força que Eunice teve é sobre-humana, inspiradora.
Eu fui assistir esperando algo totalmente diferente e me vi horrorizado e chocado assistindo a tortura psicológica que a família passava, era uma mulher contra uma ditadura, por seus filhos, seu marido, e por ela.
O esquecimento forçado do marido, o fato de ele esconder tudo dela, um governo contra ela, sua casa espionada dia e noite, a instabilidade financeira. Ao ver tudo isso sendo passado por aquela família, e então ver o close da casa, uma casa beira mar, boa, de uma família com ótima condição de vida, isso só me confirmou ainda mais que a cultura brasileira não deve se basear apenas na pobreza e crime marginalizado, (E NÃO SE BASEIA, MAS ALGUNS IDIOTAS INSISTEM QUE É SÓ ISSO!). > Brasileiros por brasileiros.O elenco é LENDÁRIO, tantos nomes gigantes do cinema brasileiro. Muitas vezes a escolha de atores tão grandes no cinema causa uma dificuldade em se adaptar com aquele personagem, pois você pode sempre acabar se lembrando de outro do mesmo autor, aqui não, é como se cada papel fosse feito para cada ator e suas atuações apenas me imergiram ainda mais.> O passado, presente e adiante.Impossível não falar sobre a minha expectativa para o Oscar, apesar de ser claro que ele serve apenas para vangloriar a cultura estadunidense, tenho fé de que esse ano pode ser diferente, é necessário ter fé.
Fernanda Torres foi DESCOMUNAL, a filha de uma lenda e que só se consagra ainda mais como também uma. Atuação divina, não há o que falar, me emociona só de pensar que alguém tenha conseguido chegar a tal nível.
QUANDO ela ganhar o Oscar de melhor atriz será uma das maiores satisfações de uma nação, tenho certeza de que ela conseguiu HONRAR e VINGAR sua mãe por aquele roubo no Oscar de 1999.
A MELHOR.> Paralelos.Não pude deixar de notar as semelhanças narrativas com Eles Não Usam Black-tie de 1981 também estrelado pela Montenegro.
A luta do povo pelo povo contra um sistema maior, e não na visão de um grande líder, mas sim de pessoas normais assim como nós que se esforçaram para tentar fazer a diferença. As torturas passadas por eles, mas no maior espírito brasileiro o possível seguindo de cabeça erguida.> Nós vamos sorrir.A última cena da foto me fez chorar, pensar que até mesmo na adversidade daquele momento ela quis seguir sorrindo e mostrando aos militares que isso não vai destruir o seu espírito, apenas o fortalecer, e também como mensagem de que dias melhores sempre virão.
Dias melhores vieram, eles demoraram mas vieram, a família pode permanecer unida, e enfim, conseguiram pelo menos um pouco de justiça para Rubens.
Por que desistir quando ela podia lutar até o fim, e com orgulho sorrir ao erguer o atestado de óbito de seu marido. Rubens Paiva foi morto no dia 22 de janeiro de 1971 por militares, não há motivo para tristeza hoje em dia, somente para orgulho de poder atestar que Rubens não fugiu de medo, morreu lutando por um Brasil melhor.> *Brando com orgulho a dádiva que é ser brasileiro, pois não a povo mais guerreiro, e nem país mais perfeito. *VIVA A CULTURA NACIONAL!!
#vi no cinema