All the Empty Rooms
A cama já foi dormida milhares de vezes. Os livros já foram lidos, os pôsters já foram admirados, os brinquedos, brincados, e as folhas de papel, algum dia ganharam tinta com significado. Tudo isso por mãos que não estão mais lá. E esses objetos foram algum dia postos onde estão com esmero; outros, abandonados onde jazem sem muito pensamento. A escova de cabelo deixada em cima da penteadeira num ângulo qualquer, pronta para ser pega novamente depois da escola; a bola de beisebol, arremessada num canto qualquer depois da última vez que jogaram com ela; os elásticos na maçaneta, postos numa ordem arbitrária em cores arbitrárias para serem algum dia futuro usados por sua dona. É só quando a alma por trás de todo esse cotidiano é arrancada do mundo que se pensa nesses pequenos detalhes, e eles então parecem conter a história de uma vida inteira, congelando em vida alguém que não está mais lá. Imaginando a coisa toda como um filme dramatizado, quase dá para imaginar como fariam silhuetas brilhantes sobrepostas da criança sorrindo, andando, correndo e pulando pelo santuário que era seu quarto. Mas isso seria como as reportagens feel-good que o Steve Hartman diz que fazia. Aqui, temos apenas o vazio e as infinitas memórias presas a ele. Não por isso é menos emocionante.