Maleficent
Malévola é de longe o filme que eu mais vi na minha vida consciente. Quando eu ganhei o DVD em 2014 já foram umas dez vezes, e a essa altura já deve ter passado de vinte. E em nenhuma dessas 20+ vezes eu senti o filme perder qualquer parte da sua beleza ou magia. O que a Disney fez em Alice no País das Maravilhas, retomando elementos do material original que não foram levados pra animação, já tinha sido perfeito, e é inacreditável eles terem conseguido melhorar esse feito logo depois com um olhar totalmente diferente pra história de Bela Adormecida. A Malévola maniqueísta, a Senhora do Mal que agita o cajado e vira dragão para matar o Princípe Philip a todo custo, já é imortal e imaculada na maravilhosa animação de 1959. Assim, quando a Malévola da Angelina Jolie se dissocia por completo dessa primeira versão, ela não tá tirando nenhuma qualidade do original, mas criando novas qualidades em um filme inteiramente novo. A backstory do romance com o Stefan não só adiciona referências legais, a exemplo da cruel piada que ela faz ao marcar a Aurora para morrer na data do falso beijo de amor verdadeiro que ela ganhou, como também melhora a história inexplicavelmente com as camadas de dor e amargura da protagonista. O espírito do conto de fadas se mantém com a doçura da Aurora, as bobeiras das fadas, da Malévola e do Diaval, e o final em que tudo acaba bem, mas a atmosfera do filme e as personagens como um todo ganham palpabilidade. Isso culmina, claro, em um dos momentos mais lindos da história da Disney - o beijo. Não é com extravagância que se atinge o fundo de um coração, mas sim com emoções verdadeiras e singelas. É por isso que eu amo com todo o meu coração como essa adaptação rejeita o clichê de amor à primeira vista, escolhendo no lugar um momento que diz da maneira mais bela possível que não só do romance vem o amor verdadeiro. A Aurora e o Philip inegavelmente se gostam, mas em que mundo que um só encontro romântico na floresta seria mais especial do que anos de carinho e cuidado sendo lentamente construídos? Malévola é perfeito porque tem essa alma radiante ornada da trilha mais linda e etérea que poderíamos desejar, além de ser vívido e colorido na fotografia sem ficar horrivelmente extravagante. Sem tirar nem pôr, this is how it's done. É assim que se cria magia no cinema, e é uma verdadeira pena que nem todo mundo aprecie essa maravilha como ela realmente merece.
Adendo importante: eu tenho crush nessa mulher desde os 10 anos, e como assim a Elle Fanning realmente tinha 16 anos quando lançou Malévola?? Que ódio de gente que nunca foi feia